O Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, prepara uma nova rodada de aberturas que deve elevar a disputa pelas grandes marcas internacionais de luxo no país. O principal movimento é da Dior, que ocupará cerca de 1.000 m² em uma unidade projetada para ser a maior da grife na América Latina.
A nova loja amplia significativamente a presença da marca francesa no empreendimento da JHSF e reunirá categorias que não estavam disponíveis no espaço atual, entre elas joalheria, moda masculina e a linha de casa Dior Maison. A operação ficará em um corredor que já concentra nomes como Louis Vuitton, Giorgio Armani, Prada, Tiffany e Bvlgari.
A abertura integra uma reorganização mais ampla do shopping, que opera praticamente sem espaço ocioso. No primeiro trimestre, o Cidade Jardim manteve 100% de ocupação, diante de 99% no conjunto dos shoppings da JHSF. Com poucas áreas disponíveis, a estratégia passa por substituir operações menores, ampliar lojas existentes e aumentar a área bruta locável.
Segundo a Bloomberg Línea, a unidade atual da Dior deve encerrar as atividades antes da abertura do novo espaço, prevista para julho. As informações sobre o cronograma foram atribuídas pela publicação a uma fonte com conhecimento do assunto.
Dior divide nova fase com Alaïa e Loro Piana
A transformação do mix não termina na grife do grupo LVMH. A Alaïa prepara sua primeira boutique na América do Sul, com aproximadamente 200 m², enquanto a Loro Piana deve inaugurar sua primeira loja no Brasil em um espaço de cerca de 300 m².
As duas operações reforçam uma estratégia baseada não apenas em atrair marcas globais, mas em garantir exclusividade, tamanho e formatos mais completos. No varejo de luxo, a presença de uma grife em determinada cidade já não é necessariamente suficiente para diferenciar um empreendimento. A disputa passou a envolver flagships, portfólios ampliados e primeiras unidades nacionais ou regionais.
Nesse cenário, a JHSF tenta fortalecer o Cidade Jardim diante de concorrentes como o JK Iguatemi e o Iguatemi São Paulo, ambos controlados pela Iguatemi e localizados em regiões estratégicas da capital paulista.
A concentração de novas operações também aproveita uma base de vendas em expansão. No primeiro trimestre, os lojistas dos shoppings da JHSF movimentaram R$ 1,025 bilhão, alta de 8% na comparação anual. A receita bruta da vertical avançou 13%, para R$ 106 milhões, enquanto o Ebitda ajustado cresceu 26%, para R$ 59 milhões.
O aluguel nas mesmas lojas, indicador que acompanha a evolução das receitas de locação em operações comparáveis, subiu 12% acima da inflação, segundo os números apresentados pela companhia.
Shopping amplia área para crescer mesmo lotado
Com ocupação no limite, a expansão física virou outra alavanca. O Cidade Jardim deve acrescentar cerca de 3,5 mil m² de área bruta locável, chegando a aproximadamente 52 mil m².
Parte desse avanço será absorvida por lojas maiores. Hermès e Prada estão entre as marcas com flagships ampliadas, enquanto outras operações são realocadas dentro do empreendimento.
A reorganização atinge também marcas nacionais, alimentação e serviços. Negócios que ocupavam quiosques passam a assumir lojas físicas, enquanto áreas existentes são divididas ou redimensionadas para abrir espaço a novos conceitos.
Entre as chegadas previstas estão novas operações infantis, cafeterias, projetos multimarcas e marcas que ainda não mantinham unidades próprias no shopping.
Esse rearranjo permite elevar a produtividade de um ativo que não dispõe de grandes áreas vagas. Em vez de depender apenas da entrada de novos lojistas, a JHSF busca aumentar a receita por metro quadrado e concentrar operações com maior capacidade de atrair fluxo e consumo de alta renda.
Chanel e Tiffany ampliam calendário até 2027
A próxima etapa da renovação já avança para 2027. A Chanel prepara uma flagship que a JHSF apresenta como a maior da marca na América Latina, com abertura prevista para o primeiro trimestre do próximo ano.
A Tiffany também trabalha em uma nova unidade distribuída por mais de um pavimento, ainda sem data confirmada, segundo a Bloomberg Línea.
A sequência de projetos mostra que a disputa pelo luxo em São Paulo entrou em uma fase marcada por lojas maiores e investimentos de longo prazo. Para os shoppings, a presença dessas marcas influencia fluxo, posicionamento e capacidade de cobrar aluguéis mais elevados. Para as grifes, espaços amplos permitem reunir mais categorias e criar experiências que pequenas boutiques não comportam.
O custo de ocupação da carteira de shoppings da JHSF gira em torno de 10%, conforme os dados citados pela publicação. O indicador mede quanto aluguel e outros encargos representam sobre as vendas dos lojistas e ajuda a avaliar a sustentabilidade da expansão das operações.









