Guerra afeta produção de petróleo e gás de ExxonMobil e Shell

As gigantes petrolíferas Exxon Mobil e Shell divulgaram, nesta quarta-feira, prévias operacionais que revelam o impacto direto da guerra no Irã sobre suas capacidades produtivas. A Exxon Mobil estima uma redução de 6% em sua produção global de petróleo e gás no primeiro trimestre de 2026, atribuindo o recuo ao fechamento estratégico do Estreito de Ormuz e aos ataques sofridos por ativos de gás em março. A empresa destacou que suas operações no Catar e nos Emirados Árabes Unidos, que correspondem a 20% de sua produção mundial, foram as mais afetadas pelas tensões geopolíticas.

Do ponto de vista financeiro, a Exxon projeta um incremento de até US$ 2,9 bilhões nos lucros em decorrência da valorização dos preços das commodities energéticas no mercado internacional. No entanto, esse ganho deve ser anulado por efeitos negativos de temporização em seu programa de negociações, estimados entre US$ 3,5 bilhões e US$ 4,9 bilhões. No trimestre anterior, a petroleira havia reportado um lucro de US$ 6,5 bilhões, com ganhos por ação de US$ 1,53, mas a previsão atual aponta para uma pressão significativa sobre esses indicadores no balanço consolidado que será publicado em maio.

A britânica Shell também revisou suas projeções para baixo, sinalizando que sua produção de gás natural no primeiro trimestre será inferior ao planejado originalmente. A companhia estima agora um volume entre 880 mil e 920 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), abandonando o intervalo anterior que chegava a 980 mil boe/d. A revisão reflete a vulnerabilidade da infraestrutura energética na região do Golfo Pérsico, que tem sido alvo frequente de ofensivas militares desde o início do conflito.

Um dos pontos críticos para a Shell foi o comprometimento da instalação Pearl, no Catar, considerada um dos ativos mais valiosos de seu portfólio global para a produção de gás para líquidos. Os recentes ataques à indústria de óleo e gás na região não apenas interromperam o fluxo de suprimentos, mas também elevaram os custos operacionais de segurança e logística. Esse cenário de instabilidade tem forçado as multinacionais do setor a recalibrarem suas estratégias de curto prazo para lidar com a escassez de oferta em mercados-chave.

Enquanto os preços elevados do barril de petróleo oferecem um suporte parcial às receitas, o mercado financeiro monitora com cautela a capacidade de entrega física das companhias. A combinação de gargalos logísticos em Ormuz e a destruição de infraestruturas de processamento no Oriente Médio coloca em xeque o cumprimento das metas anuais das grandes petrolíferas. O cenário para o restante de 2026 permanece dependente da duração das hostilidades e da capacidade de diversificação das fontes de suprimento fora da zona de conflito.

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