Guerra no Irã dispara preço do petróleo ao maior nível desde 2022

O petróleo registrou uma das maiores altas dos últimos anos nesta segunda-feira, 9 de março, com a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio. Os contratos do Brent, referência global, chegaram a subir cerca de 29% durante a madrugada, atingindo quase US$ 119,50 por barril. Ao longo do dia, reduziram parte dos ganhos e seguiam acima de US$ 106, ainda com valorização superior a 15%.

O West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, também avançou mais de 15% e chegou a tocar US$ 119,48 em determinado momento do pregão. Os dois índices atingiram os níveis mais altos desde meados de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia abalou o mercado global de energia.

Estreito de Ormuz concentra o risco

O principal foco de preocupação do mercado está no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de um quinto de todo o petróleo transportado no mundo. A guerra elevou os riscos de segurança na região e provocou interrupções no transporte marítimo, afetando diretamente a movimentação de navios petroleiros.

Compradores asiáticos, que dependem fortemente do petróleo do Oriente Médio, tornaram-se os mais vulneráveis a possíveis interrupções no abastecimento. Analistas apontam que, caso o fluxo pelo estreito não se normalize rapidamente, a pressão sobre os preços deve continuar.

Iraque e Kuwait cortam produção

Além dos problemas logísticos, a guerra já afeta diretamente a produção de energia na região. O Iraque e o Kuwait iniciaram cortes na produção após dificuldades para exportar pela rota marítima. No Iraque, a produção nos principais campos do sul do país recuou cerca de 70%, chegando a aproximadamente 1,3 milhão de barris por dia, segundo fontes da indústria. Os estoques locais já atingiram capacidade máxima.

Exportações de gás natural liquefeito do Catar também sofreram reduções. Além disso, analistas avaliam que Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita podem ser obrigados a cortar produção caso o conflito se prolongue.

Infraestrutura de energia sofre ataques

Instalações energéticas em diversos países do Oriente Médio acumulam danos desde o início do conflito. No Bahrain, a refinaria da estatal BAPCO declarou força maior após um ataque ao complexo industrial. Nos Emirados Árabes Unidos, um incêndio atingiu a zona industrial petrolífera de Fujairah em decorrência da queda de destroços. Já na Arábia Saudita, o governo informou ter interceptado um drone que se deslocava em direção ao campo petrolífero de Shaybah.

Novo líder do Irã reduz chances de desescalada

A nomeação de Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo do Irã reforçou a percepção de continuidade da linha mais rígida do regime. Para analistas, essa mudança diminui as chances de uma desescalada rápida do conflito e aumenta o risco de novos ataques contra infraestruturas energéticas na região.

Mercados reagem e analistas projetam US$ 130

A disparada do petróleo gerou ondas nos mercados financeiros globais. As bolsas europeias abriram em queda, enquanto os futuros das bolsas americanas também recuaram. O dólar se fortaleceu diante da busca por ativos mais seguros, e a alta da energia elevou preocupações com inflação e risco de estagflação.

No Congresso americano, lideranças passaram a pressionar o governo para liberar a reserva estratégica de petróleo dos Estados Unidos como forma de conter os preços. Por fim, mesmo que o conflito termine rapidamente, analistas alertam que os impactos sobre o mercado de energia podem durar meses. No cenário mais pessimista, projetam o WTI entre US$ 120 e US$ 130 por barril no curto prazo.

Sair da versão mobile