O faturamento de 2025 da Havan entrou para a história da varejista de Brusque, em Santa Catarina. Mesmo diante de um cenário econômico adverso, marcado por juros elevados e consumo mais cauteloso, a rede encerrou o ano com receita de R$ 18,5 bilhões — crescimento de 16% em relação a 2024. Além disso, o lucro líquido chegou a R$ 3,4 bilhões, alta de 28% e o maior resultado já registrado pela empresa.
A margem líquida ficou em 25,1% no ano e atingiu 30,2% apenas no quarto trimestre, conforme balanço ao qual a EXAME teve acesso. Trata-se de um desempenho bem acima da média do setor varejista brasileiro.
Expansão física como motor do crescimento
O principal fator por trás dos resultados foi, sobretudo, a expansão da rede. Ao longo de 2025, a Havan inaugurou sete novas megalojas e encerrou o período com 184 unidades em operação, além do canal de e-commerce. Com isso, a área total de vendas chegou a 923 mil metros quadrados — um acréscimo de 41 mil metros quadrados em relação ao ano anterior.
O crescimento da base de lojas também impulsionou o fluxo de clientes, que atingiu o maior nível histórico da rede. Por sua vez, o EBITDA — lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — foi de R$ 3,1 bilhões, com margem de 23%. Já o lucro operacional (EBIT) somou R$ 2,8 bilhões, com margem de 20,9%.
Vale notar, no entanto, que a margem bruta recuou de 40,9% para 38,9%, indicando pressão nos custos de mercadoria. Mesmo assim, a empresa conseguiu ampliar sua rentabilidade final — resultado que chama atenção no setor.
“2025 foi um ano com muitos obstáculos, mas conseguimos com muito trabalho e resiliência superar os desafios. Na Havan, sempre acreditamos que lucro e alegria caminham juntos”, afirmou Luciano Hang, fundador da rede.
Caixa sólido e dívida sob controle
Outro ponto que diferencia a Havan no varejo brasileiro é sua posição financeira. A empresa encerrou 2025 com dívida bruta de R$ 678 milhões e caixa de R$ 4,9 bilhões em recursos e aplicações financeiras. Na prática, isso representa um caixa líquido de R$ 4,3 bilhões — ou seja, a rede está em situação de “dívida líquida negativa”.
Além disso, o balanço registra a liquidação de duas emissões de debêntures no período. A geração de caixa operacional totalizou R$ 2,5 bilhões. Em contrapartida, a companhia investiu R$ 470 milhões em imobilizado e distribuiu R$ 2,2 bilhões em dividendos ao longo do ano.
Essa posição de liquidez permite à Havan financiar sua expansão sem depender intensamente de crédito bancário — e atravessar eventuais ciclos de consumo fraco com mais tranquilidade do que concorrentes mais alavancados.
Metas para 2026: 200 lojas e R$ 22 bilhões
Para 2026, ano em que completa 40 anos de história, a Havan projeta alcançar 200 megalojas em operação e faturamento de R$ 22 bilhões. No entanto, atingir essas metas exige execução precisa.
Os principais riscos estão no comportamento do consumidor — ainda pressionado pelo crédito caro — e na margem bruta, que já demonstrou recuo em 2025. Se a competição se intensificar e a empresa precisar recorrer a mais promoções para sustentar volume, a rentabilidade pode sofrer. Por outro lado, com caixa bilionário, a rede tem condições de manter investimentos mesmo em cenários adversos.
“As metas são ambiciosas, como sempre foram, mas temos um time preparado”, concluiu Hang.









