Healthtech brasileira aposta em IA preditiva para aumentar segurança em cirurgias

A corrida para consolidar a inteligência artificial preditiva como assistente de alta precisão em centros cirúrgicos ganhou um novo e robusto capítulo no mercado de tecnologia em saúde (healthtech).

A brasileira Anestech anunciou que está direcionando seus investimentos para o desenvolvimento de uma plataforma inteligente projetada para apoiar anestesiologistas na tomada de decisões críticas em tempo real, mitigando e prevendo intercorrências clínicas antes mesmo que elas se manifestem nos monitores cirúrgicos.

A iniciativa da startup ganha musculatura ao se apoiar em um dos maiores ecossistemas de dados anestésicos do país. A base histórica da ferramenta já reúne quase 10 milhões de procedimentos documentados, traduzidos em mais de sete terabytes de informações clínicas — um volume de dados que representa a cobertura de aproximadamente 15% de todas as cirurgias realizadas em território nacional.

De acordo com Diogenes Silva, médico anestesiologista e CEO da Anestech, o propósito da tecnologia não reside apenas no armazenamento massivo, mas na conversão desse patrimônio digital em inteligência clínica aplicável à beira do leito. “O mercado evoluiu muito na digitalização dos prontuários e da documentação assistencial. Agora, o próximo passo é utilizar essas informações para oferecer suporte ao médico no momento em que a decisão precisa ser tomada. A inteligência artificial deve ampliar a capacidade clínica do profissional, nunca substituí-lo”, avalia o executivo.

Um dos pilares mais inovadores sob desenvolvimento é o conceito de “cockpit anestésico”. O ambiente centralizará o histórico do paciente, as diretrizes científicas mais recentes, a automatização de indicadores e algoritmos de previsão de risco de forma altamente integrada. Para viabilizar a adoção comercial em larga escala por redes hospitalares, a empresa aposta em uma arquitetura flexível que modula diferentes modelos de IA de acordo com a complexidade de cada processo cirúrgico, reduzindo os custos de processamento tecnológico.

Em conformidade com as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a healthtech estruturou uma governança rígida que envolve a total anonimização das informações utilizadas no treinamento de suas redes neurais e validação clínica contínua, unindo rigor regulatório à segurança do paciente no ambiente cirúrgico.

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