Ibovespa sobe 0,86% aos 180 mil pontos e dólar cai a R$ 5,16 após fala de Trump

Painel de cotações da B3 | Foto: Germano

O Ibovespa encerrou o pregão desta segunda-feira, 9 de março, em alta de 0,86%, aos 180.915 pontos, após uma sessão marcada por forte volatilidade. O impulso decisivo veio no fim do dia, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que a guerra contra o Irã pode terminar em breve e está “praticamente concluída”. O dólar também reagiu e fechou em queda de 1,52%, cotado a R$ 5,165.

Trump muda o humor do mercado no fim do pregão

Até o início da tarde, o índice oscilava próximo da estabilidade. A virada aconteceu após Trump conceder entrevista à CBS News, pouco antes do fechamento do mercado local, afirmando que os Estados Unidos estão bem à frente do prazo estimado de até cinco semanas para o conflito no Oriente Médio.

Com as declarações, o mercado reverteu rapidamente. Ações que estavam no vermelho viraram para o positivo e o Ibovespa chegou a subir mais de 1% em determinado momento. Petrobras (PETR3 e PETR4) manteve alta superior a 2%, e as ações da Vale (VALE3) também avançaram. Os bancos subiram em bloco.

“Os mercados estavam relativamente calmos, trabalhando no zero a zero. A declaração do Trump, falando que a guerra pode acabar rápido, fez com que a bolsa subisse mais de 1%”, afirmou Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Petróleo despenca após euforia da madrugada

O petróleo viveu um dia de extremos. Na madrugada, o Brent chegou perto de US$ 120, impulsionado pelo risco no Estreito de Ormuz. Depois das declarações de Trump, porém, o barril despencou na sessão eletrônica. O Brent recuou 4,51% e o WTI cedeu 6,79%. As petroleiras que chegaram a subir 5% e 6% ao longo do dia terminaram com alta mais modesta, ao redor de 2%.

MRV lidera as quedas com balanço fraco

No campo negativo, as ações da MRV (MRVE3) lideraram as perdas e recuaram mais de 7% no dia. A incorporadora divulgou seu balanço antes da abertura do mercado com resultado misto: enquanto a operação de incorporação no Brasil voltou ao lucro, a subsidiária americana Resia continuou pressionando os números consolidados. A holding fechou 2025 com receita operacional líquida de R$ 10,9 bilhões, mas registrou prejuízo líquido de R$ 1,04 bilhão atribuído aos acionistas.

Além da MRV, outras ações ligadas à economia doméstica e ao varejo também recuaram. Segundo o analista Alison Correia, cofundador da Dom Investimentos, a alta das taxas de juros futuras no pregão pressionou empresas de consumo e construtoras, como CEAB3, PCAR3 e CYRE3.

Dólar cai com perspectiva de juros altos por mais tempo

Para Correia, a queda do dólar reflete, sobretudo, a expectativa de que o Banco Central mantenha os juros elevados por mais tempo. Com a Selic em 15% ao ano e sinais de que o corte previsto para março pode ser menor do que o esperado, de apenas 0,25%, o diferencial de juros segue atraente para o capital estrangeiro. Portanto, o fluxo externo tende a se manter positivo, o que contribui para a valorização do real.

As falas de Trump também impulsionaram Wall Street. O Dow Jones encerrou em alta de 0,50%, o S&P 500 avançou 0,83% e o Nasdaq subiu 1,38%. O setor de tecnologia se destacou com valorização de 1,80%. Assim como no Brasil, o petróleo que chegou a subir mais de 10% durante o pregão americano passou a cair mais de 1% após o fechamento das negociações à vista.

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