Um mês depois de renovar sua máxima histórica, o Ibovespa entrou em uma fase de correção e reduziu parte do ganho acumulado no forte rali de 2026. O principal índice da Bolsa brasileira chegou a 199.354 pontos em 14 de abril, perto da marca simbólica dos 200 mil pontos, mas perdeu força nas semanas seguintes.
Segundo levantamento citado pelo InfoMoney com base no fechamento de 14 de maio, o índice acumulou queda superior a 11% desde o topo histórico. A mudança de humor atingiu boa parte das empresas do índice e deixou o mercado mais seletivo, com apenas oito ações em alta no período.
Bolsa perdeu força depois de se aproximar dos 200 mil pontos
A correção levou o Ibovespa de volta para uma faixa mais próxima dos 180 mil e 170 mil pontos, depois de uma sequência de valorização que havia colocado o índice em patamar recorde.
O movimento veio acompanhado por realização de lucros e perda de força compradora. Na prática, investidores passaram a reduzir exposição em alguns papéis que tinham subido com mais intensidade nos meses anteriores.
Pelo gráfico semanal analisado por Rodrigo Paz, analista técnico do InfoMoney, o índice ainda preserva uma estrutura positiva no médio prazo, mas ficou mais pressionado no curto prazo. O IFR de 14 períodos estava em torno de 51 pontos, nível considerado neutro na análise técnica.
Apenas 8 ações do Ibovespa subiram no período
Entre 14 de abril e 14 de maio, só oito papéis do Ibovespa conseguiram fechar no campo positivo. O melhor desempenho ficou com Usiminas (USIM5), que avançou 40,68% no intervalo.
Também subiram:
- Braskem (BRKM5): alta de 23,73%;
- Gerdau (GGBR4): alta de 9,17%;
- Metalúrgica Gerdau (GOAU4): alta de 7,76%;
- PRIO (PRIO3): alta de 3,40%;
- Hapvida (HAPV3): alta de 1,61%;
- CSN (CSNA3): alta de 0,45%;
- Vibra Energia (VBBR3): alta de 0,36%.
O desempenho mostra uma concentração maior de ganhos em empresas ligadas a materiais básicos, energia e petróleo, enquanto setores mais sensíveis ao ambiente doméstico sofreram pressão mais forte.
Magazine Luiza, Cyrela, Cogna e MBRF caíram mais de 20%
Na outra ponta, quatro ações acumularam perdas superiores a 20% no mesmo intervalo. A maior queda foi da Magazine Luiza (MGLU3), com recuo de 25,30%.
Também ficaram entre as maiores baixas:
- Cyrela (CYRE3): queda de 21,86%;
- Cogna (COGN3): queda de 20,43%;
- MBRF (MBRF3): queda de 20,35%.
A pressão atingiu principalmente ações de consumo, educação e construção civil. Esses segmentos costumam reagir de forma mais sensível a juros, crédito, renda das famílias e percepção de risco no mercado local.
No caso de MGLU3, a análise técnica citada aponta que o papel seguia negociado abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos, com suporte relevante entre R$ 6,15 e R$ 5,23. Já CYRE3 passou a operar abaixo de regiões importantes após renovar máxima em R$ 32,17, enquanto COGN3 mostrou fragilidade depois de testar resistência em R$ 4,73.
Suporte de 175 mil pontos virou referência para o mercado
Para o Ibovespa, a região dos 175 mil pontos aparece como um dos níveis mais acompanhados pelos analistas técnicos. A manutenção desse patamar pode abrir espaço para uma reação compradora, enquanto a perda da faixa aumentaria o risco de continuidade da correção.
Abaixo desse ponto, os próximos suportes citados na análise ficam em 164.780 pontos, 153.570 pontos, 140.230 pontos e 131.550 pontos.
Do lado positivo, a recuperação das médias móveis entre 180.500 e 184.730 pontos seria um sinal importante para o índice tentar retomar força. Acima disso, o mercado voltaria a mirar a máxima histórica de 199.354 pontos e, em caso de rompimento, projeções em 206.315, 213.415 e 222.200 pontos.
