A inflação dos combustíveis de aviação passou a impactar diretamente os custos da produção agrícola no Brasil. O aumento atinge principalmente operações de aviação agrícola, essenciais para atividades como pulverização, plantio e controle de pragas.
Levantamento do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola mostra que a gasolina de aviação registrou alta de 67,3 por cento, enquanto o querosene avançou 51,6 por cento.
Esses combustíveis são amplamente utilizados no setor, o que amplia o impacto sobre a cadeia produtiva.
Impacto direto pode chegar a 40% nos custos
O aumento dos preços já se reflete nas operações aeroagrícolas. Segundo o setor, os custos relacionados a combustíveis subiram, em média, cerca de 25 por cento, com variações que podem chegar a 40 por cento dependendo da região e do tipo de operação.
A aviação agrícola tem forte presença em regiões como Centro Oeste e Sudeste, onde se concentram grandes áreas de produção. Isso amplia o efeito do encarecimento sobre culturas como soja, milho e algodão.
Cenário internacional impulsiona alta
A elevação dos preços está ligada à volatilidade do mercado global de petróleo. Tensões geopolíticas e instabilidade em rotas estratégicas de energia pressionam os combustíveis e dificultam o planejamento das empresas.
Esse cenário gera oscilações rápidas nos custos e aumenta a incerteza para o setor agrícola, que depende de previsibilidade para organizar safras e investimentos.
Efeito pode chegar ao preço dos alimentos
O encarecimento das operações no campo tende a ser repassado ao longo da cadeia produtiva. O aumento dos custos de aplicação aérea impacta diretamente o custo final da produção agrícola.
Com isso, há risco de pressão sobre os preços dos alimentos e outros produtos derivados do agro, além de possíveis reflexos na balança comercial brasileira.
Especialistas apontam que, quando o custo sobe na produção, o impacto tende a alcançar o consumidor final.
Setor busca alternativas para reduzir impacto
Diante do cenário, empresas do setor avaliam alternativas para reduzir custos, como maior uso de etanol, que apresentou variação mais estável, e ajustes operacionais.
Também cresce o interesse por soluções energéticas mais previsíveis, além de possíveis medidas de apoio ao setor para mitigar os efeitos da alta dos combustíveis.
Aviação agrícola é estratégica para o agro
O Brasil possui uma das maiores frotas de aviação agrícola do mundo, com capacidade de atender mais de 100 milhões de hectares.
Essa relevância amplia o efeito sistêmico da alta dos combustíveis, já que o setor é fundamental para a produtividade agrícola e para o desempenho das exportações.








