O fluxo de capital estrangeiro para o mercado financeiro brasileiro apresentou um saldo expressivamente positivo em janeiro, impulsionado principalmente pelo forte apetite por títulos de renda fixa e ações.
Segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (24), o investimento em ativos de renda fixa negociados no país somou US$ 6,939 bilhões no primeiro mês de 2026. O resultado marca uma reversão total em comparação a janeiro de 2025, quando a rubrica havia registrado uma saída líquida de US$ 2,370 bilhões.
No mercado de renda variável, o interesse externo também avançou. O investimento estrangeiro em ações brasileiras fechou o mês com saldo positivo de US$ 3,752 bilhões, valor que mais do que dobrou em relação ao superávit de US$ 1,841 bilhão observado no mesmo período do ano anterior.
Por outro lado, o segmento de fundos de investimento seguiu a tendência de retração, registrando um déficit de US$ 1,824 bilhão em janeiro, uma deterioração acentuada frente ao saldo negativo de US$ 189 milhões registrado em 2025. É importante notar que esses dados do BC monitoram o fluxo cambial (entrada e saída de dólares) e não necessariamente as movimentações nominais de não-residentes na B3.
Saída de Divisas e Custos de Captação
Enquanto a entrada de capital para investimentos cresceu, as contas de renda primária mostraram maior pressão nas saídas de divisas do país:
- Lucros e Dividendos: A remessa dessas rubricas para o exterior totalizou US$ 4,654 bilhões em janeiro, um aumento em relação ao déficit de US$ 3,986 bilhões registrado no início de 2025.
- Juros Externos: As despesas com o serviço da dívida externa também subiram, somando US$ 3,661 bilhões no mês passado, contra US$ 3,094 bilhões no período comparativo anterior.
Este aumento nas remessas e despesas com juros reflete, em parte, o custo mais elevado de financiamento e a maturação de investimentos anteriores que agora retornam às matrizes estrangeiras sob a forma de proventos.
