A inflação oficial do Brasil iniciou o ano de 2026 com estabilidade, mantendo o ritmo de crescimento observado no encerramento do ano anterior. Segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (10), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,33% em janeiro, repetindo exatamente o percentual de dezembro. Com esse resultado, o indicador acumula uma variação de 4,44% nos últimos 12 meses, consolidando-se dentro das expectativas do mercado financeiro, que projetava uma taxa mensal de 0,32%.
O cenário inflacionário de janeiro foi marcado por um cabo de guerra entre os custos de mobilidade e as despesas domésticas. O grupo de Transportes exerceu a maior pressão de alta, impulsionado pelo reajuste da gasolina, que subiu 2,06% após mudanças na alíquota do ICMS.
Esse movimento foi acompanhado pela valorização de outros combustíveis, como o etanol (3,44%), e pelo aumento expressivo nas passagens de ônibus urbanos em seis capitais, com destaque para Fortaleza (20%) e São Paulo (6%). Em contrapartida, o setor de habitação atuou como um importante freio para o índice, beneficiado pela redução de 2,73% na conta de luz devido à entrada em vigor da bandeira tarifária verde, que eliminou as taxas extras cobradas no mês anterior.
No setor de consumo imediato, o grupo de Alimentação e Bebidas — que detém o maior peso no orçamento das famílias brasileiras — apresentou uma desaceleração, passando de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro.
Embora itens básicos como o leite longa vida (-5,59%) e o ovo de galinha (-4,48%) tenham registrado quedas significativas, o consumidor sentiu o impacto no setor de hortifrúti, onde o tomate disparou 20,52%. As carnes também ficaram mais caras no período, com o contrafilé e a alcatra liderando as altas nas gôndolas dos supermercados.
Além dos combustíveis e alimentos, outros setores mostraram variações relevantes que ajudam a compor o retrato econômico do início do ano. O grupo Comunicação registrou a maior alta setorial (0,82%), puxado pelo encarecimento de aparelhos telefônicos e reajustes em combos de internet e TV por assinatura.
Já o segmento de Saúde e Cuidados Pessoais subiu 0,70%, influenciado por artigos de higiene e planos de saúde. No campo das quedas, além da energia elétrica, o setor de Vestuário recuou 0,25%, enquanto os serviços de transporte por aplicativo e passagens aéreas tiveram fortes correções negativas após os picos de preços registrados durante as festas de fim de ano.









