O Itaú Unibanco registrou queda na demanda por crédito de famílias endividadas em 2026. Juros altos e maior comprometimento de renda freiam o apetite dos consumidores. Apesar disso, o banco manteve inadimplência estável e lucro sólido no primeiro trimestre do ano.
O Itaú registrou lucro líquido de R$ 12,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado ficou abaixo de um recorde nominal. Contudo, o presidente-executivo Milton Maluhy Filho afirma que o balanço não se enfraqueceu.
Segundo ele, a criação de valor no período foi recorde. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 27,6% no Brasil. Além disso, Maluhy destacou o efeito da antecipação de dividendos no resultado. Expurgado esse impacto, o lucro líquido teria alcançado R$ 12,7 bilhões, o que representaria um recorde histórico na série do banco.
Política de crédito: apetite mantido com cautela
O Itaú Unibanco não mudou sua estratégia de crescimento de carteira. O guidance divulgado no início do ano está mantido. As carteiras voltadas aos públicos-alvo do banco crescem em dois dígitos. Para Maluhy, isso comprova que a estratégia de qualidade e rentabilidade tem funcionado.
Portanto, o banco segue seletivo na escolha de seus clientes. Não é necessariamente a renda que define o perfil buscado pelo banco. “Tem baixa renda que é público-alvo e tem média que deixou de ser”, explicou o executivo.
Entre os exemplos citados por Maluhy estão os aposentados pelo INSS. Assim, o critério passa mais pelo comportamento financeiro do que pela faixa salarial.
Famílias endividadas reduzem demanda por crédito
Esse é o ponto central do cenário atual. O CEO admitiu que o ambiente de juros elevados já se traduz em menor demanda por crédito por parte dos clientes. “A gente observa nas famílias um aumento, sim, de comprometimento de renda, maior endividamento”, afirmou.
Além disso, o banco reconhece que ajustes pontuais ao longo do ciclo são naturais. O apetite do banco é dinâmico e pode variar diante de mudanças no cenário micro ou macroeconômico. Ainda assim, Maluhy reforçou a solidez patrimonial da instituição. “O balanço do banco está muito protegido em todas as linhas”, afirmou.
Mercado de capitais em queda
Outro ponto de atenção aparece no mercado de capitais. O segmento apresentou queda relevante de volumes no período. O comportamento foi bem distinto do observado ao longo de 2025.
A explicação também passa pelos juros. O executivo atribuiu a retração ao nível elevado de juros, que torna o ambiente menos favorável para emissões e operações estruturadas. Portanto, enquanto a Selic permanecer alta, esse segmento tende a seguir pressionado.
O que vem pela frente
O Itaú Unibanco segue em modo de vigilância. Para os próximos trimestres, o banco promete manter disciplina na alocação de capital e gestão de risco. Assim, a instituição monitora tanto o cenário doméstico quanto os desdobramentos internacionais.
Em resumo, o maior banco privado do Brasil fecha o primeiro trimestre com resultados sólidos. Porém, reconhece que o crédito para famílias endividadas em 2026 será um dos principais desafios à frente.








