J.P. Morgan detalha perspectivas globais para fusões e aquisições em 2026

JP Morgan Eleva Projeção para Crescimento do PIB Brasileiro em 2025 Impulsionado por Cenário Externo e Agro

JPMorgan/Divulgação

O mercado global de fusões e aquisições (M&A) inicia 2026 sob o impacto de um ano histórico. De acordo com o relatório Global Annual M&A Outlook 2026, divulgado hoje pelo J.P. Morgan, o volume de transações em 2025 atingiu a marca de US$ 5,1 trilhões, um salto de 42% em relação ao ano anterior.

O resultado é o segundo maior da história, superado apenas pelo recorde de 2021, e foi impulsionado por megatransações, investimentos massivos em Inteligência Artificial e uma forte onda de operações transfronteiriças.

O ano de 2025 consolidou a “era da escala”. Embora o número total de transações tenha apresentado uma leve queda de 4%, as operações acima de US$ 250 milhões cresceram 13%.

O destaque absoluto ficou para as 71 megatransações (superiores a US$ 10 bilhões), que sozinhas somaram US$ 1,5 trilhão. Somente no quarto trimestre de 2025, foram registradas 23 dessas operações, o maior volume trimestral já documentado. Segundo o relatório, empresas maiores têm garantido prêmios de avaliação até 41% superiores, além de menores custos de financiamento.

Na América Latina, a resiliência foi a tônica do ano. Rafael Munoz, Head de M&A para a região no J.P. Morgan, destacou que o volume de operações subiu 34% em 2025, com o Brasil na liderança dos movimentos. “Nossos clientes seguem focados em crescimento estratégico e criação de valor”, afirmou o executivo, demonstrando otimismo para 2026. A região se beneficiou tanto da consolidação interna quanto do apetite de investidores estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos, que se mantiveram como os principais compradores e alvos globais.

Para 2026, dez forças devem moldar o mercado, com destaque para a transição energética e a infraestrutura de IA. Estima-se que investimentos entre US$ 5 trilhões e US$ 7 trilhões sejam destinados a data centers e energia nos próximos cinco anos, gerando novas ondas de aquisições. Além disso, o cenário deve ser marcado por inovações estruturais, como o recorde de operações de fechamento de capital (take-private), que movimentaram US$ 381 bilhões no último ano, e um ativismo acionário sem precedentes, forçando revisões estratégicas e desinvestimentos em grandes corporações.

O cenário regulatório e as tensões geopolíticas também desempenharão um papel crucial. O J.P. Morgan observa que o maior escrutínio sobre ativos estratégicos está acelerando movimentos de desglobalização, levando empresas a buscarem maior controle sobre suas cadeias de suprimentos. Mesmo com esses desafios, o mercado entra no novo ano com fundamentos sólidos e um estoque elevado de capital disponível em fundos de private equity, sinalizando que o ciclo de grandes negócios está longe de terminar.

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