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Home Empresas

Kronan fecha 1º empreendimento e projeta R$ 100 milhões em VGV até o final de 2026

João Pedro Camargo Corenciuc por João Pedro Camargo Corenciuc
18/05/2026
em Empresas
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Em São Paulo, o déficit habitacional já chega a 1,6 milhão de moradias. O Minha Casa Minha Vida, criado para reduzir esse número, passou a exigir em suas diretrizes mais recentes terrenos bem localizados, próximos a transporte público, serviços e infraestrutura urbana. Esses terrenos existem em grande quantidade na cidade, mas têm uma característica que limita sua utilização: são pequenos. No modelo construtivo convencional, isso significa inviabilidade.

É nesse contexto que a Kronan avança. A empresa acaba de fechar seu primeiro terreno para a construção de um empreendimento do programa na zona leste de São Paulo, com VGV de R$ 20 milhões. Outros dois terrenos estão em fase de diligenciamento e, até o fim de 2026, a companhia projeta alcançar R$ 100 milhões em VGV acumulado dentro do MCMV.

A oportunidade surge de um desalinhamento entre os modelos construtivos disponíveis. De um lado, o método tradicional, pressionado pelo apagão de mão de obra. De outro, sistemas industrializados como formas de concreto, que exigem escala e terrenos maiores para se justificar. A Kronan atua justamente nesse intervalo ao produzir seus painéis em fábrica, em Itupeva, e realizar apenas a montagem no canteiro, com equipe reduzida e menor impacto urbano. Esse é o mesmo método que recentemente permitiu a construção de 2.000 metros quadrados no Brooklin em 28 dias úteis, com sete operários, enquanto uma obra convencional de porte semelhante levaria cerca de seis meses e mobilizaria aproximadamente 35 trabalhadores por dia.

A implicação vai além de um projeto pontual. Empresas listadas em bolsa com forte atuação no MCMV enfrentam hoje o mesmo gargalo: terrenos bem localizados acabam sendo descartados por limitações físicas de execução. O modelo validado pela Kronan na zona leste abre espaço para parcerias com essas companhias, permitindo o acesso a um estoque de terrenos que até então permanecia fora do radar.

“A Kronan tem o hábito de resolver problemas antes de eles se tornarem urgentes. Primeiro foi a falta de mão-de-obra para atuação nos canteiros. Agora, com o MCMV priorizando terrenos bem localizados e a escassez de espaço nas cidades se tornando um problema real para o setor, o que desenvolvemos nos últimos anos se torna exatamente o que o mercado precisa.”, afirma Martin Paul Schwark, CTO da Kronan.

Na prática, a mudança recente nas regras do programa reforça esse cenário ao ampliar o acesso ao crédito e aumentar a pressão sobre terrenos bem localizados nas cidades.

“As novas regras do Minha Casa, Minha Vida ampliam o acesso das famílias e aumentam a demanda por terrenos bem localizados nas cidades. O desafio, no entanto, não é apenas financeiro, mas também físico e construtivo. Em áreas urbanas densas, os terrenos continuam pequenos e complexos para o modelo tradicional de obra. É exatamente nesse ponto que a construção industrializada se torna decisiva para viabilizar projetos que antes não fechavam”, afirma Martin.

O momento do programa reforça esse movimento. A recente ampliação do MCMV, que passou a incluir famílias com renda de até R$ 13 mil e imóveis de até R$ 600 mil, aumentou o alcance do crédito e tende a impulsionar lançamentos. Ao mesmo tempo, o setor acompanha com cautela discussões sobre o uso do FGTS para quitação de dívidas, já que o fundo segue como um dos principais pilares do financiamento imobiliário no país. Em 2025, respondeu por cerca de 43% dos novos financiamentos, o equivalente a R$ 138 bilhões, o que evidencia sua relevância para sustentar o crescimento do programa.

Nesse cenário, o MCMV se expande em demanda e acesso, mas mantém desafios estruturais na ponta da execução. A ampliação do crédito e o maior número de famílias elegíveis aumentam a pressão sobre terrenos bem localizados, que seguem limitados por restrições físicas e construtivas. É nesse ponto que a Kronan se posiciona ao viabilizar projetos em áreas onde o modelo tradicional não consegue operar.

Tags: EmpresasInvestimentosKronanMercadoNegócios
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