Casal transforma medo de voar em negócio de R$ 20 milhões

O medo de voar de Mila Seidl acabou dando origem a um negócio de R$ 20 milhões. A empresária conheceu o trabalho de Lito Sousa, mecânico de aeronaves com 25 anos de experiência na United Airlines, quando buscava entender melhor o funcionamento dos aviões para lidar com a insegurança em viagens.

O primeiro contato começou a partir do blog Aviões e Músicas, criado por Lito para explicar temas técnicos da aviação em linguagem simples. A conversa entre os dois virou relacionamento, casamento e, depois, uma parceria empresarial.

Juntos, eles fundaram a Lito Group, empresa que reúne produção de conteúdo digital, cursos para pessoas com medo de voar, formação profissional na área da aviação e treinamentos corporativos. Nos últimos 12 meses, o grupo faturou R$ 20 milhões. Para 2026, a meta é chegar a R$ 25 milhões.

Conteúdo virou ponto de partida

O blog criado por Lito nasceu de forma despretensiosa no início dos anos 2000. Além de mecânico de aviões, ele também atuava como DJ e usava o espaço para compartilhar explicações sobre aviação e mixes musicais.

A virada começou quando Mila percebeu que havia potencial para transformar aquele conhecimento técnico em conteúdo mais acessível para o público geral. O casal passou a estudar formatos para YouTube, organizar episódios, criar quadros e pensar em temas que fossem além dos entusiastas de aviação.

As dúvidas de Mila, que não vinha do setor, ajudaram a aproximar o conteúdo de quem tinha curiosidade ou medo de voar. Perguntas simples sobre segurança, manutenção, peças e funcionamento das aeronaves passaram a virar vídeos.

Com estratégia de frequência, linguagem acessível e foco em temas de alto interesse, o canal cresceu rapidamente. Em menos de dois anos, já somava 1 milhão de inscritos.

Audiência abriu novas frentes de receita

A primeira expansão fora do conteúdo digital veio com um e-commerce de camisetas da marca. O público começou a comprar os produtos e enviar fotos, que passaram a aparecer nos vídeos, criando uma conexão entre comunidade e negócio.

Depois, o grupo lançou um livro escrito por Lito. A obra foi inspirada em uma experiência do criador de conteúdo no Zaire, atual República Democrática do Congo, nos anos 1990, quando trabalhou na manutenção de aeronaves em um ambiente marcado por conflitos e operações de alto risco.

Sem editora, o casal decidiu fazer a publicação de forma independente. A primeira tiragem, de 5 mil exemplares, esgotou em um dia. O livro chegou a cerca de 150 mil cópias vendidas e se tornou uma das frentes que consolidaram a força da audiência construída pela marca.

Medo de voar virou produto

Outra linha de negócio nasceu da própria história de Mila. O casal passou a oferecer cursos para pessoas com medo de avião, primeiro em formato presencial e depois em versões digitais.

A procura inicial foi alta, especialmente porque o público queria contato direto com Lito. Com o tempo, a empresa percebeu que o modelo presencial tinha limite de escala e passou a desenvolver produtos online.

Hoje, os cursos voltados a pessoas com medo de voar representam entre 10% e 15% do faturamento da Lito Group.

Formação técnica se tornou maior frente

A maior vertical da empresa atualmente é a Lito Aviation Academy, criada a partir da percepção de que o setor aéreo enfrentaria escassez de profissionais após a pandemia.

A escola começou com foco na formação de mecânicos de aeronaves, área de origem de Lito. Depois, ampliou o portfólio para cursos voltados a pilotos, comissários e engenheiros aeronáuticos.

O projeto levou cerca de dois anos para ser estruturado e foi desenvolvido após conversas com companhias aéreas, executivos do setor e especialistas. A ideia era entender quais formações teriam maior demanda na retomada da aviação.

A primeira turma reuniu cerca de 1,5 mil alunos. Hoje, a academia responde por aproximadamente 35% do faturamento do grupo.

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