O avanço dos custos com diesel e frete já impacta diretamente o agronegócio brasileiro em 2026, pressionando margens e alterando a dinâmica de formação de preços, especialmente em regiões mais distantes dos portos. “Com o diesel representando cerca de 30% do custo total do transporte rodoviário, qualquer oscilação no combustível gera efeito imediato no custo logístico, que, por sua vez, passa a ter crescente na rentabilidade de culturas como soja e milho”, ressalta Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro.
Esse cenário é intensificado por fatores externos e regulatórios. A pressão do mercado internacional de energia, impulsionada por tensões geopolíticas e a alta do petróleo, somada à dependência de importações de diesel no Brasil, cria um ambiente de instabilidade. Por outro lado, a maior fiscalização do piso mínimo de frete, com autos de infração que saltaram para até 40 mil por mês em 2026, torna os preços mais rígidos, limitando quedas mesmo em momentos de menor demanda.
Dados recentes mostram que o piso no mínimo do frete segue em trajetória de alta, saindo de R$ 3.616 em julho de 2025 para R$ 3.991 em março de 2026, consolidando um novo patamar estrutural de custos no transporte. Ao mesmo tempo, a composição do frete evidencia a centralidade do combustível (31%), seguido por mão de obra (20%) e remuneração de capital (15%), reforçando como o diesel continua sendo o principal vetor de pressão no setor.
Outro indicador relevante é o aumento da participação do frete no valor das commodities agrícolas. No milho produzido em Mato Grosso, essa fatia saltou de 35% em 2025 para 38% em 2026, evidenciando o quanto o custo lógico vem absorvendo parte significativa da receita do produtor. Já na soja, o impacto também cresce, passando de 20% para 22% no mesmo período, o que reduz a competitividade, especialmente nas operações de exportação.
O frete deixa de ser apenas um custo operacional e passa a ocupar um papel central na estratégia do produtor. Com menor elasticidade de queda e maior rigidez nos preços, a logística impacta diretamente o timing de comercialização e a competitividade entre as regiões. “Diante desse contexto, o produtor rural precisa adotar uma gestão mais estratégica dos custos logísticos, já que o frete elevado tende a permanecer como um dos principais desafios para o agro brasileiro ao longo do ano”, finaliza Yedda.
