O Mercado Bitcoin levantou R$ 100 milhões em uma rodada Série C liderada pela Tether, empresa responsável pelo USDT. A captação foi feita pela 2TM, holding que controla a plataforma brasileira, e representa apenas a primeira etapa de uma operação que ainda deverá receber investimento adicional do SoftBank.
O valor final da rodada permanece em aberto porque o montante a ser aportado pelo grupo japonês ainda não foi definido. Fundadores do Mercado Bitcoin também participam da captação.
Os recursos serão direcionados à expansão de diferentes frentes do negócio, entre elas infraestrutura de pagamentos, investimentos tokenizados, crédito, empréstimos e mercados de capitais on-chain. A companhia também pretende acelerar a presença internacional e avalia operações de fusões e aquisições na América Latina.
Entre os mercados citados pelo CEO Roberto Dagnoni estão México e Argentina. A estratégia prevê tanto crescimento orgânico quanto expansão por meio da compra de outras empresas.
Tether lidera rodada e SoftBank volta a investir
A presença do SoftBank aproxima a nova captação de um capítulo anterior da trajetória do Mercado Bitcoin. Em 2021, o grupo liderou a Série B da companhia, rodada que levou a fintech a alcançar um valuation de US$ 2,15 bilhões e o status de unicórnio.
Cinco anos depois, a nova injeção de capital encontra uma empresa que tenta ampliar seu espaço para além da negociação de criptoativos. O Mercado Bitcoin afirma ter 4,5 milhões de usuários, mais de R$ 155 bilhões transacionados entre criptomoedas e stablecoins e dez licenças regulatórias no Brasil e na Europa.
Entre as autorizações estão licenças relacionadas à atuação como instituição de pagamento e corretora de títulos e valores mobiliários.
“A discussão já não é mais se os serviços financeiros migrarão para infraestruturas on-chain. Essa transição já está em curso”, afirmou Dagnoni.
Na avaliação do executivo, o aporte aumenta a capacidade da companhia de desenvolver serviços financeiros baseados em blockchain no Brasil e em outros mercados.
Do lado da Tether, o investimento se apoia na presença regulada construída pelo Mercado Bitcoin. Paolo Ardoino, CEO da empresa, afirmou que a combinação entre arcabouço regulatório, tokenização e oferta integrada de serviços financeiros diferencia a operação dentro da América Latina.
Crédito com garantia em cripto entra na expansão
Uma das frentes em crescimento é o CriptoCrédito, produto que permite ao cliente contratar empréstimos em reais usando criptoativos como garantia.
O serviço, anteriormente restrito ao canal de assessores, foi ampliado em 2026 para toda a base da plataforma. Desde então, segundo a companhia, o valor emprestado quintuplicou.
A meta é alcançar R$ 100 milhões em crédito concedido até o fim de 2026.
A aposta faz parte de uma tentativa mais ampla de integrar ativos digitais a produtos financeiros usados no cotidiano. Em vez de limitar a plataforma à compra e venda de criptomoedas, o Mercado Bitcoin pretende avançar sobre pagamentos, investimentos tokenizados, empréstimos e soluções para clientes institucionais.
Expansão internacional redesenhou estrutura
O crescimento fora do país também provocou mudanças na gestão. No fim de 2025, o Mercado Bitcoin separou sua operação em duas frentes.
A Operação Brasil passou a ser presidida por Lucas Lopes, ex-Serasa Experian, com foco na expansão do negócio voltado ao consumidor por meio de tecnologia e dados. Já a Operação Europa ficou sob responsabilidade do ex-CEO Reinaldo Rabelo, a partir de Portugal.
Ambos se reportam a Roberto Dagnoni, que ocupa a posição de chairman executivo.
A nova rodada amplia a capacidade financeira para acelerar essa estrutura e abre espaço para aquisições em outros países latino-americanos. A companhia, porém, ainda não anunciou alvos específicos.









