Mercado global de robotáxis deve movimentar US$ 1 trilhão até 2040, diz Morgan Stanley

O mercado global de robotáxis está consolidando sua transição da fase de testes em ambientes controlados para o estágio de expansão comercial em larga escala, pavimentando o caminho para se transformar em uma indústria de US$ 1 trilhão até o ano de 2040. De acordo com um relatório estratégico divulgado pelo banco de investimentos Morgan Stanley nesta quarta-feira (8), o avanço estrutural do setor é impulsionado por saltos tecnológicos em inteligência artificial, pela acentuada redução nos custos de componentes de hardware e pelo amadurecimento das estruturas regulatórias internacionais.

A equipe de análise do banco, liderada pelo estrategista Tim Hsiao, aponta o ano de 2026 como o divisor de águas definitivo para a mobilidade autônoma global. As projeções macroeconômicas indicam que a frota mundial de veículos sem motorista deve atingir a marca de 2,5 milhões de unidades em circulação até 2035, com os mercados dos Estados Unidos e da China concentrando aproximadamente 70% desse ecossistema. Esse mercado endereçável trará profundos impactos e reestruturações na cadeia automotiva tradicional: os provedores de software de direção, desenvolvedores de semicondutores e fabricantes de sensores devem capturar a maior parte do valor gerado, enquanto montadoras focadas exclusivamente em motores a combustão enfrentarão o desafio da migração do modelo de posse do automóvel para o consumo de transporte sob demanda.

Na vanguarda dessa corrida tecnológica e comercial, a Alphabet (via Waymo) e a Tesla despontam como as duas principais forças em disputa pela liderança global, configurando a maior rivalidade industrial da década. O Morgan Stanley pondera que a Waymo carrega uma vantagem competitiva consolidada em termos de segurança e milhas de experiência operacional real. Em contrapartida, a Tesla joga com o diferencial de seus baixos custos de produção, capacidade fabril massiva e uma gigantesca base instalada de veículos coletando dados. Correndo em paralelo a essa liderança, um pelotão de competidores especializados e regionais — como Baidu Apollo, WeRide, Pony.ai, Uber, DiDi, XPeng e Zoox — tenta escalar suas próprias plataformas com foco no acesso direto ao cliente.

Um dos pilares mais robustos para a viabilidade financeira do setor repousa na eficiência manufatureira e de suprimentos da China. O relatório projeta que o custo de fabricação de um robotáxi em solo chinês recue para a faixa de US$ 35 mil a US$ 40 mil por veículo até 2027, um valor substancialmente menor do que os investimentos demandados no início da indústria. Essa compressão de custos já se traduz em balanços mais saudáveis: operações da Pony.ai e da Baidu Apollo alcançaram o ponto de equilíbrio financeiro (breakeven) em cidades selecionadas da China, enquanto a WeRide atingiu o equilíbrio operacional em Abu Dhabi.

O banco estima uma redução adicional de 20% nos custos unitários nos próximos três anos, prevendo que frotas maduras alcancem margens líquidas altamente rentáveis, entre 30% e 40%, beneficiadas pelo aumento na taxa de utilização dos ativos e pela eliminação dos custos trabalhistas com motoristas.

Os desdobramentos de longo prazo da autonomia veicular vão extrapolar as fronteiras do transporte de passageiros. No mercado de seguros, haverá uma migração paulatina da responsabilidade civil dos motoristas para os fabricantes, desenvolvedores de sistemas e frotistas, abrindo um novo nicho de apólices corporativas.

Já o setor de semicondutores registrará uma explosão na demanda por poder computacional: o banco projeta que os veículos autônomos de próxima geração exijam processadores capazes de entregar mais de 4.000 TOPS (trilhões de operações por segundo) até 2030, impulsionando fornecedores de ponta como a Nvidia. Embora o Morgan Stanley alerte para riscos no radar — como potenciais retrocessos regulatórios, o impacto de acidentes de grande repercussão e a resistência cultural de consumidores —, a instituição reafirma que a direção do setor está traçada e fora do campo experimental.

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