A busca por entregas cada vez mais rápidas está intensificando a disputa entre Mercado Livre, Shopee e Amazon por galpões logísticos no Brasil. As três gigantes do comércio eletrônico ampliaram seus investimentos em centros de distribuição e passaram a disputar os melhores imóveis para armazenagem e distribuição de produtos, pressionando a oferta de espaços no país.
O movimento tem impulsionado o mercado imobiliário logístico, que registrou ocupação recorde no primeiro trimestre de 2026, com cerca de 1 milhão de metros quadrados absorvidos, enquanto a taxa de vacância caiu para 6,4%, o menor nível da série histórica.
Preço dos aluguéis sobe com demanda elevada
A escassez de galpões de alto padrão fez o valor médio dos aluguéis aumentar aproximadamente R$ 5,50 por metro quadrado nos últimos dois anos, alcançando média de R$ 30,62 por metro quadrado.
Segundo consultorias do setor, nove das dez maiores locações registradas no primeiro trimestre foram realizadas por empresas de comércio eletrônico, evidenciando o peso dessas companhias na demanda por novos empreendimentos.
Empresas adotam estratégias diferentes
O Mercado Livre permanece como a empresa com maior área locada no país. Em março, anunciou um investimento de R$ 57 bilhões no Brasil em 2026, incluindo a abertura de 14 novos centros de distribuição e um complexo logístico de 300 mil metros quadrados em Jacareí (SP).
A Shopee, por sua vez, firmou o maior contrato de locação da história do setor no Brasil, alugando 220 mil metros quadrados em um empreendimento em construção em Guarulhos (SP).
Já a Amazon acelerou a expansão da sua infraestrutura logística, inaugurando um centro de distribuição em Salvador e ampliando operações em diversas regiões do país. A empresa afirma contar atualmente com cerca de 300 estruturas logísticas distribuídas pelo Brasil.
Oferta de novos galpões enfrenta dificuldades
Apesar da forte demanda, a construção de novos galpões enfrenta obstáculos.
Os juros elevados aumentam o custo do financiamento dos empreendimentos, enquanto a obtenção de licenças e aprovações pode levar anos. Além disso, a alta dos custos de construção tem pressionado os novos projetos, dificultando a ampliação da oferta.
Como consequência, cerca de 40% dos galpões previstos para entrega em 2026 já estão pré-locados, antes mesmo da conclusão das obras.
Expansão chega além do Sudeste
Embora São Paulo continue concentrando quase metade do estoque nacional de galpões de alto padrão, empresas e desenvolvedores vêm ampliando projetos para outras regiões.
Estados como Santa Catarina, Espírito Santo e diversas capitais do Nordeste passaram a receber investimentos para atender à expansão das operações de comércio eletrônico, impulsionada pelo crescimento das vendas online fora dos grandes centros urbanos.
Logística se torna diferencial competitivo
Especialistas avaliam que a velocidade de entrega se tornou um dos principais fatores de competitividade no comércio eletrônico. Por isso, garantir centros de distribuição próximos aos consumidores é considerado estratégico para reduzir prazos, aumentar a fidelização dos clientes e atrair mais vendedores para as plataformas.
Com o avanço do e-commerce no Brasil, a expectativa é que a disputa por galpões continue aquecida nos próximos anos, beneficiando empresas do setor logístico, incorporadoras e fundos imobiliários especializados nesse tipo de ativo.







