O Mercado Livre foi o e-commerce que despertou o maior interesse de busca entre os brasileiros nos primeiros seis meses de 2026. O dado faz parte de um levantamento inédito da agência de link building Do Follow, que mapeou o desempenho das maiores plataformas de varejo digital do país no Google Trends entre 1º de janeiro e 30 de junho.
O estudo oferece um termômetro do comportamento do consumidor em um período estratégico, marcado por fortes datas comerciais como Volta às Aulas, Carnaval, Páscoa e Dia das Mães.
O monitoramento gerou um índice de interesse médio de busca (que varia de 0 a 100), revelando um pódio isolado e o desempenho dos demais players:

Os dados revelam que Mercado Livre, Shopee e Amazon concentraram a atenção dos usuários, mantendo uma liderança sólida, com 86, 65 e 59 pontos respectivamente. Como a pesquisa no Google costuma anteceder a decisão de compra, o resultado reforça o peso dessas marcas no topo do funil de consumo.
Embora o Google Trends reflita o interesse relativo e não o volume absoluto de acessos, o indicador é vital para entender a mente do consumidor. De acordo com Carolina Glogovchan, especialista em posicionamento de marca e CEO da Do Follow, manter o interesse elevado por meses demonstra força de marca e presença digital consolidada, enquanto as oscilações pontuais ajudam a calibrar o impacto de campanhas e promoções.
A evolução das buscas indica comportamentos distintos entre as marcas. O Mercado Livre manteve trajetória estável durante todo o período, com variações menos acentuadas em relação aos demais players. Shopee e Amazon também apresentaram desempenho consistente, com oscilações pontuais, mas sem alterações bruscas na posição relativa ao longo dos meses.
Entre os demais concorrentes, os movimentos foram mais concentrados em períodos específicos. A Americanas registrou pico no início de abril, período que pode ser associado à Páscoa, quando aumentam as buscas por chocolates e itens sazonais ligados à data.
Já a Shein começou o ano com volume mais moderado e ganhou tração entre maio e junho. O avanço coincide com o Dia das Mães e com a demanda por peças de vestuário associadas às Festas Juninas, além de maior presença de buscas por cupons e códigos promocionais.
Além do desempenho das marcas, o levantamento da Do Follow identificou os termos com maior crescimento dentro dos principais e-commerces no semestre, evidenciando padrões distintos de uso das plataformas.
No Mercado Livre, o termo “camisa do brasil mercado livre” registrou alta superior a 750%. O movimento se conecta à preparação para a Copa do Mundo, com buscas por itens da seleção concentradas no primeiro semestre. Em paralelo, “cupom mercado livre” avançou 50%, indicando recorrência de pesquisas ligadas à redução de preço no momento da compra.
Na Amazon, “cupom amazon hoje” cresceu 80%, reforçando a busca por descontos aplicados de forma imediata. Na Shein, o termo “shein promo code” avançou 1.050%, enquanto “cupom shein primeira compra” teve alta de 50%. O conjunto indica forte presença de buscas associadas a códigos promocionais e incentivos para novas compras.
Na Shopee, o destaque foi “seller shopee”, com crescimento de 70%. Nesse caso, o comportamento se diferencia dos demais, já que a busca está ligada à abertura de lojas dentro da plataforma, e não apenas ao consumo de produtos.
Para Glogovchan, esses termos ajudam a entender o uso prático do buscador no processo de decisão. “O brasileiro usa o Google como um validador de oportunidades econômicas e um reflexo direto do calendário cultural, seja para caçar cupons, encontrar looks para datas comemorativas ou se vestir para a Copa do Mundo”, afirma.
A executiva acrescenta que a recorrência dessas intenções influencia a forma como as marcas aparecem nas buscas. “Esses padrões de pesquisa ajudam a consolidar relevância nas páginas de resultado, o que impacta a visibilidade das marcas dentro do ecossistema de busca”, diz.
Para as empresas, o levantamento reforça que investir em estratégias de SEO e construção de autoridade digital deixou de ser apenas uma forma de conquistar posições no Google. Como as plataformas de Inteligência Artificial também utilizam conteúdos bem posicionados e fontes confiáveis para responder às dúvidas dos consumidores, estar entre os principais resultados amplia as chances de ser descoberto ao longo de toda a jornada de compra.
“As marcas que conseguem manter relevância nas buscas não apenas atraem mais tráfego qualificado, mas também fortalecem sua presença nos ecossistemas de IA, que tendem a exercer um papel cada vez maior na descoberta de produtos e na decisão de compra. A disputa pela atenção do consumidor começa muito antes do clique no site”, conclui Carolina.