O Banco Central do Brasil divulgou, nesta segunda-feira (20), uma nova edição do Relatório Focus, apresentando como principal destaque a terceira redução consecutiva na expectativa de inflação para 2026. Em meio a um cenário de monitoramento rigoroso da política monetária, a mediana das projeções do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano recuou de 5,16% para 5,15%, acumulando um alívio em relação aos 5,33% projetados há um mês.
Panorama da Inflação: Recuo Curto, Alerta no Longo Prazo
A desaceleração nas estimativas de preços de curto prazo também se refletiu no Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) para 2026, que caiu pela terceira semana seguida, de 5,61% para 5,55%. Por outro lado, a inflação dos preços administrados (que inclui tarifas de energia e combustíveis) permaneceu ancorada em 5,00% pela quinta semana consecutiva.
Apesar da melhora marginal para este ano, os horizontes mais longos registraram leve deterioração nas expectativas dos analistas do setor privado:
- IPCA 2027: Mantido estável em 4,20%.
- IPCA 2028: Avançou de 3,70% para 3,78%, registrando a primeira semana de alta.
- IPCA 2029: Permanece fixado em 3,50% há 46 semanas consecutivas.
- IGP-M 2027 e 2028: Apresentaram elevações nas projeções, subindo para 4,12% e 3,86%, respectivamente.
Atividade Econômica e Política Monetária
As estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e para a trajetória da taxa básica de juros (Selic) mantiveram-se consolidadas, sinalizando previsibilidade no quadro macroeconômico desenhado pelo mercado.
A projeção do PIB para 2026 ficou em 1,99%, sustentando estabilidade há três semanas. Para 2027, a estimativa de expansão da economia seguiu em 1,65%, enquanto os anos de 2028 e 2029 permanecem com previsões ancoradas em 2,00% ao ano.
No front monetário, os agentes financeiros mantiveram a aposta de que a Selic encerrará 2026 em 14,00% ao ano — nível em que se encontra estável há quatro semanas. Para os anos seguintes, o mercado projeta um ciclo gradual de cortes na taxa básica, prevendo 12,00% em 2027, 10,50% em 2028 e 10,00% ao ano no encerramento de 2029.
A projeção para o dólar no encerramento de 2026 permaneceu sem alterações em R$ 5,20 pela quinta semana consecutiva. A estimativa para 2027 sustentou-se em R$ 5,28, enquanto o único ajuste no segmento cambial ocorreu nas projeções para 2028, com a moeda norte-americana recuando pela segunda semana seguida, de R$ 5,34 para R$ 5,30. Para 2029, a cotação projetada manteve-se inalterada em R$ 5,40.









