Os principais índices acionários de Nova York, o S&P 500 e o Nasdaq, registraram novas marcas históricas de fechamento nesta terça-feira (26). O forte movimento de alta foi impulsionado pelo renovado otimismo dos investidores em relação ao setor de inteligência artificial, cuja euforia conseguiu sobrepujar a volatilidade geopolítica no exterior. O mercado financeiro global operava sob forte apreensão diante dos recentes ataques militares dos Estados Unidos contra alvos no Irã, o que vinha elevando a aversão ao risco em Wall Street nos dias anteriores.
O protagonismo do pregão ficou por conta das empresas de semicondutores e hardware avançado, que continuam surfando a onda de alta demanda estrutural por chips de IA. O grande destaque individual foi a Micron Technology, cujas ações dispararam expressivos 19% em uma única sessão. Com o rali, a fabricante rompeu a barreira histórica de US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez na história, impulsionada por um relatório do banco UBS, que revisou drasticamente o preço-alvo dos papéis da companhia de US$ 535 para US$ 1.625.
Além dos balanços robustos das Big Techs, o apetite por risco foi alimentado pela perspectiva de abertura do mercado de capitais para novos gigantes tecnológicos. Os investidores começam a direcionar sua atenção e liquidez para as ofertas públicas iniciais (IPOs) planejadas por algumas das maiores corporações privadas focadas em inovação, como a SpaceX. Para Chris Zaccarelli, diretor de investimentos da Northlight Asset Management, o atual ciclo de valorização assemelha-se ao boom tecnológico do final da década de 1990, embora ressalte que os aprendizados adquiridos após o estouro da bolha pontocom tendem a evitar um colapso semelhante.
No plano diplomático, o mercado acionário encontrou suporte e alívio nas declarações de autoridades norte-americanas e em relatos de bastidores do Oriente Médio. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, indicou publicamente que a costura de um acordo de paz com Teerã para interromper as hostilidades militares mútuas poderia ser concluída em poucos dias. Paralelamente, a agência de notícias estatal iraniana Tasnim divulgou que o regime persa colocou como condição para a trégua a liberação de US$ 24 bilhões em fundos soberanos que se encontram congelados em instituições financeiras no exterior.
A leitura de analistas políticos e econômicos indica que os fundamentos corporativos seguem blindados, mesmo diante das pressões inflacionárias globais derivadas do conflito energético. Adam Sarhan, presidente-executivo da 50 Park Investments, avalia que há uma probabilidade elevada de resolução pacífica para o impasse militar no curto ou médio prazo. Sarhan destacou que a realidade macroeconômica mostra que os lucros das empresas listadas continuam projetando curvas de crescimento consistentes, refletindo uma economia americana que se mantém resiliente e em franca expansão.
Com o encerramento formal da temporada de balanços do primeiro trimestre, os dados consolidados revelaram um cenário corporativo muito mais forte do que o inicialmente previsto. De acordo com as estatísticas semanais compiladas pela plataforma financeira LSEG, a expectativa de crescimento médio dos lucros corporativos para o período foi revisada para expressivos 29% em termos anuais. O percentual representa um salto significativo frente à projeção de 16,1% estimada pelo consenso de mercado há apenas um mês, chancelando o rali das bolsas americanas.
