A Morana prepara sua primeira loja fora do Brasil. A unidade será inaugurada na segunda quinzena de agosto, na Avenida Santa Fé, em Buenos Aires, marcando a entrada da rede brasileira de bijuterias na Argentina.
O movimento acontece após a Morana ser reconhecida pela Euromonitor International como líder do mercado brasileiro de bijuterias. Com mais de 300 lojas no país, a empresa agora tenta levar para a América Latina o modelo que consolidou no franchising nacional.
A expansão internacional será feita em parceria com o grupo argentino BSG, dono das marcas Todomoda e Isadora. A joint venture, anunciada em 2025, criou uma operação integrada entre Brasil e outros mercados latino-americanos.
Parceria reorganiza expansão regional
Pelo acordo, a Morana passa a liderar a expansão da Todomoda e da Isadora no Brasil. Em troca, o grupo BSG apoiará a chegada da marca brasileira a outros países da América Latina.
A negociação levou quase um ano para ser concluída. O grupo argentino já atuava no Brasil desde 2019, mas enfrentava dificuldades para adaptar sua operação ao varejo local. A empresa chegou a abrir entre 12 e 14 lojas próprias em shoppings, mas sofreu com custos de ocupação e rentabilidade.
A experiência da Morana no modelo de franquias se tornou o principal ativo da parceria. A rede brasileira opera há três décadas no franchising e possui mais de 300 lojas no país.
“A América Latina seria equivalente ao Brasil. Tenho a oportunidade de ganhar um novo mercado inteiro para expansão”, afirma Jae Ho Lee, fundador da Morana.
Meta é chegar a 800 lojas
A estratégia conjunta prevê uma rede de 800 lojas nos próximos dez anos, somando Morana, Todomoda e Isadora nos mercados brasileiro e latino-americano.
No Brasil, a Todomoda encerrou o último ano com 22 lojas e deve chegar a até 50 unidades até o fim de 2026. A expansão segue uma lógica parecida com a da Morana: primeiro os grandes shoppings, depois centros comerciais secundários e cidades médias.
Já na América Latina, o crescimento pode ser mais acelerado. O grupo BSG conta com uma estrutura de masters franqueados, operadores responsáveis por diferentes países e capazes de abrir várias unidades ao mesmo tempo.
Segundo Lee, esse modelo pode permitir a inauguração de dezenas de lojas em um curto intervalo.
Morana projeta R$ 460 milhões em 2026
A Morana fechou 2025 com faturamento de R$ 411 milhões e projeta crescimento de 13% neste ano. A expectativa interna é alcançar cerca de R$ 460 milhões em 2026.
A rede soma aproximadamente 330 lojas e deve terminar o ano com 370 unidades, considerando Morana e Todomoda.
Parte relevante da expansão vem de franqueados que já operam a marca. Cerca de 70% das novas lojas são abertas por empresários que já têm unidades da rede.
Em uma pesquisa interna recente, 98% dos franqueados afirmaram que indicariam a marca para outras pessoas, enquanto 93% disseram que abririam uma nova unidade.
Varejo enfrenta ano de pressão
A expansão acontece em um cenário mais desafiador para o varejo. Juros elevados, aumento de custos operacionais, escassez de mão de obra e discussões sobre mudanças na escala de trabalho pressionam a rentabilidade das redes.
Segundo Lee, a falta de funcionários já chega a atrasar a abertura de lojas. A companhia estima que eventuais mudanças na jornada de trabalho possam exigir cerca de 20% mais colaboradores por unidade.
A Morana também acompanha o avanço de plataformas asiáticas, como Shein e Shopee. O fundador avalia, porém, que o impacto sobre o setor de acessórios é diferente de outras categorias, porque a compra de bijuterias segue ligada a impulso, conveniência e experiência física.
“No shopping, a compra é entretenimento e impulso”, afirma.
Fábrica no Paraguai ajuda na margem
Para sustentar a expansão sem repassar integralmente os custos ao consumidor, a Morana verticalizou parte da operação.
Desde 2019, a empresa mantém uma fábrica em Ciudad del Este, no Paraguai, responsável pelo banho e acabamento das peças antes da distribuição ao Brasil.
A decisão foi motivada por eficiência tributária e ganho de margem. Como o Paraguai integra o Mercosul, a companhia reduz parte do imposto de importação sobre os produtos que retornam ao Brasil.
“Eu não sou industrial. Sou varejo. Tive que virar indústria”, afirma Lee.
