A logística reversa de pneus no Brasil ganhou um novo capítulo durante a Pneushow 2026, principal feira de reforma de pneus da América Latina, que acontece até quinta-feira, dia 25 de junho, no Expo Center Norte, em São Paulo. A Coorpel, cooperativa especializada na reciclagem reversa destinação ambientalmente correta de pneus, apresentou ao mercado um lançamento que possui benefícios econômicos e ambientais, especialmente, a economia circular.
A estaca para cercas rurais produzida a partir de pneus reciclados possui cerca de 2,20 metros de comprimento e foi desenvolvida para substituir as tradicionais estacas de madeira utilizadas em propriedades rurais. “Hoje a cerca de madeira tem vida útil limitada. Dependendo das condições, dura entre dois e dez anos. Ela pode apodrecer, quebrar ou ser comprometida por queimadas. Com nossos recicladores associados conseguimos desenvolver uma alternativa mais durável e sustentável”, explica Wictor Lopes, presidente da Coorpel.
A estaca reciclada se destacada pela durabilidade. “Costumamos brincar que damos 100 anos de garantia porque ainda não sabemos exatamente quanto tempo ela pode durar. Ela não apodrece, não sofre degradação pela chuva e possui alta resistência”, ressalta Lopes, que afirma ainda que o produto consegue absorver impactos de animais, por exemplo.
Em termos econômicos, o produto possui um valor inferior ao de muitas estacas de madeira disponíveis no mercado. “Estamos levando ao produtor rural uma solução mais durável, sustentável e economicamente competitiva. Antes, parte desse material poderia ser triturada e utilizada como combustível alternativo em processos industriais. Agora ele ganha uma nova vida dentro das propriedades rurais, substituindo madeira e agregando valor ao resíduo”, finaliza Lopes.
A iniciativa faz parte da estratégia da Coorpel de estreitar relações com a agropecuária brasileira e ampliar o mercado para produtos derivados da reciclagem. Hoje, a Coorpel reúne 23 cooperados e possui sete unidades industriais em operação nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
“Queremos chegar à Pneushow 2028 com pelo menos 20 estados operando com cooperados ativos. Nosso objetivo é construir uma rede nacional de reciclagem de pneus, fortalecendo a logística reversa e aumentando a capacidade de atendimento em todo o país”, finaliza o presidente.
A eficiência energética e o avanço da agenda de descarbonização estiveram em pauta na Arena do Conhecimento da Expobor 2026, principal feira da indústria de artefatos de borracha na América Latina. Daniel Nascimento de Aragão, consultor em Tecnologia do Senai-SP, destacou que o Programa PotencializEE oferece uma jornada estruturada para que as empresas possam avaliar tecnicamente seus processos e tomar decisões mais seguras sobre investimentos.
A iniciativa é voltada para empresas de diversos segmentos industriais e possui critérios específicos de elegibilidade, incluindo organizações com faturamento anual de até R$ 350 milhões. Quando a empresa atende aos critérios de elegibilidade e demonstra viabilidade técnica, inicia-se uma etapa mais detalhada de levantamento de informações operacionais. O programa também atua como facilitador do acesso ao crédito para viabilizar a implementação das melhorias recomendadas. Outro diferencial é o suporte técnico oferecido após a aprovação dos investimentos.
“Eficiência energética não é apenas uma questão ambiental. Ela representa ganho de competitividade, redução de custos e aumento da produtividade. Quanto mais eficiente é o uso da energia, mais preparada a indústria estará para enfrentar os desafios do mercado e avançar em sua jornada de transição energética”, concluiu Aragão.
A inteligência artificial deixou de ser uma promessa para se tornar uma ferramenta estratégica dentro da indústria da borracha. Durante painel na Arena do Conhecimento da Expobor e da Pneushow 2026, Felipe Zaidan, diretor de Compras, Exportação e Engenharia das Indústrias Mangotex e Debora Lalo, Innovation and Transformation Lead da Google, destacaram que a tecnologia já contribui para ganhos de produtividade, otimização de processos, controle de qualidade e desenvolvimento de novos materiais, mas alertaram que a adoção exige governança, dados confiáveis e uma política organizacional bem estruturada.
“A inteligência artificial veio para ajudar a superar desafios. A discussão hoje não é apenas sobre tecnologia, mas sobre como pavimentamos e organizamos os agentes de IA dentro das empresas, considerando segurança, governança e políticas organizacionais. Cada empresa está em um estágio diferente de maturidade tecnológica e precisa construir esse caminho de forma criteriosa”, afirmou Debora.
Zaidan destacou que a tecnologia tem se mostrado especialmente útil para compreender as inúmeras variáveis envolvidas na produção de compostos de borracha. “No setor, trabalhamos com fatores que variam constantemente, como características da matéria-prima, diferenças entre lotes, condições climáticas e impactos na viscosidade dos compostos. A IA ajuda a entender essas relações e identificar os parâmetros mais adequados para cada situação”.
Um dos exemplos citados envolve justamente o comportamento da viscosidade da borracha em diferentes condições climáticas. “Ao inserir essas variáveis nos modelos de inteligência artificial, conseguimos fornecer recomendações ao operador sobre possíveis ajustes de temperatura e processo, contribuindo para maior estabilidade e qualidade da produção”, afirmou Zaidan.





