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Home ESG

Motiva descarbonização: meta climática antecipada em 8 anos

Julia Alves Barreto por Julia Alves Barreto
17/02/2026 - Atualizado em: 18/02/2026
em ESG
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Além das concessões rodoviárias, a Motiva opera trens metropolitanos como a Linha 9-Esmeralda na capital paulista (ViaMobilidade /Divulgação)

Além das concessões rodoviárias, a Motiva opera trens metropolitanos como a Linha 9-Esmeralda na capital paulista (ViaMobilidade /Divulgação)

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A Motiva descarbonização virou referência no setor de infraestrutura brasileiro. A maior empresa de mobilidade do país antecipou em oito anos sua meta climática. Além disso, superou o compromisso original com folga: o grupo cortou 61% das emissões de gases de efeito estufa nos escopos 1 e 2, enquanto a meta previa uma redução de 59% até 2033.

Trata-se de um resultado expressivo para um setor intensivo em carbono. Por isso, a conquista exigiu uma revisão profunda de processos internos. Nesse sentido, a empresa redesenhou sua matriz energética, acelerou a eletrificação e colocou a agenda climática no centro das decisões estratégicas.

Em entrevista exclusiva à EXAME, a VP de sustentabilidade da Motiva, Raquel Cardoso, afirmou que a antecipação reflete uma mudança estrutural. “Sustentabilidade deixou de ser um diferencial reputacional para se tornar um critério central de investimento”, destacou.

Como a Motiva descarbonização chegou a esse resultado

Nos últimos anos, a empresa direcionou investimentos pesados para a migração a fontes renováveis. Além disso, modernizou sistemas, ampliou a eficiência energética e avançou na descarbonização das operações. Hoje, praticamente toda a energia consumida pelo grupo vem de fontes limpas. Da mesma forma, todos os novos empreendimentos já nascem dentro desse padrão obrigatório.

Para Raquel, não faz mais sentido incorporar ativos que não estejam prontos para uma economia de baixo carbono. Nesse contexto, cada novo projeto precisa nascer eletrificado, sustentável e abastecido por energia renovável desde a sua concepção.

O tamanho da operação ajuda a dimensionar o impacto dessa virada. A Motiva é atualmente a segunda maior consumidora de energia da região metropolitana de São Paulo. Por sua vez, opera ativos intensivos em eletricidade, como trens e sistemas de mobilidade urbana que transportam milhões de passageiros diariamente. Entre eles, estão a Linha 9-Esmeralda e a Linha 8-Diamante, operadas pela concessionária ViaMobilidade.

O desafio agora é crescer sem emitir mais

Apesar dos avanços, o desafio seguinte já está posto. “O plano é crescer, mas com inteligência climática, eficiência energética e escolhas sustentáveis desde a concepção dos projetos”, afirmou Raquel.

Além disso, esse protagonismo ganha relevância ainda maior porque o setor de transportes responde por cerca de 11% das emissões nacionais de gases de efeito estufa. Por isso, a Motiva lidera a Coalizão para Descarbonização dos Transportes. Trata-se de uma iniciativa que reúne mais de 50 organizações brasileiras e prevê até R$ 600 bilhões em investimentos sustentáveis.

Entre as frentes prioritárias do novo plano climático estão a eletrificação de frotas e equipamentos, o uso de dados para gestão energética e a ampliação do uso de energia renovável de longo prazo. Em síntese, cada decisão de investimento passa, agora, por uma lente climática. “A pergunta não é apenas se o projeto é financeiramente viável, mas se ele é compatível com a nossa trajetória”, explicou a executiva.

Dessa forma, a empresa transforma a transição energética em vantagem competitiva. Ao antecipar metas e internalizar o custo do carbono no planejamento, a Motiva se posiciona melhor para acessar financiamentos verdes e atrair investidores atentos à agenda ESG.

O maior gargalo: a cadeia de valor

Se nos escopos 1 e 2 os avanços já são sólidos, o foco agora se volta ao escopo 3. Esse escopo engloba toda a cadeia de valor: fornecedores, obras, logística, operações terceirizadas e ciclo de vida dos ativos. Segundo Raquel, é nesse pilar que se concentram o maior impacto e também a maior complexidade.

Para enfrentar esse desafio, portanto, a estratégia envolve critérios climáticos mais rígidos nas compras e exigências ambientais nos contratos. Além disso, a empresa estimula a descarbonização ao longo de toda a cadeia e desenvolve parcerias para novas tecnologias.

Por fim, Raquel resumiu a visão de longo prazo da companhia: “A transição climática não é um projeto com começo, meio e fim. É uma jornada permanente. O futuro da infraestrutura será necessariamente limpo, eficiente e resiliente.”

Tags: ClimadescabonizaçãoESG
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