A Natura quer usar inteligência artificial para encurtar o caminho entre a pesquisa e a prateleira. A companhia prepara para o próximo ano uma nova linha de produtos de cuidados com a pele desenvolvida em parceria com a Debut, empresa de biotecnologia e IA sediada em San Diego, nos Estados Unidos.
O movimento ocorre em um momento sensível para a empresa. Depois de reduzir sua exposição global, vender ativos não essenciais e voltar a concentrar esforços na América Latina, a Natura ainda enfrenta pressão nas vendas e precisa encontrar novas formas de crescer em um mercado de consumo mais cauteloso.
Segundo a Bloomberg Línea, a parceria busca desenvolver um ingrediente patenteado para cosméticos. A tecnologia da Debut foi usada para analisar mais de 40 ingredientes derivados da Amazônia já presentes no portfólio da Natura, com o objetivo de descobrir novas funções para esses ativos em produtos de beleza.
IA deve encurtar o ciclo de desenvolvimento
Na indústria de cosméticos, criar um novo ingrediente ou fórmula pode levar anos. A Debut afirma que sua plataforma consegue reduzir o tempo de pesquisa e desenvolvimento de cinco a sete anos para cerca de nove meses.
Para a Natura, esse ganho de velocidade pode ser decisivo. A empresa precisa renovar o portfólio, testar novas propostas de valor e chegar mais rápido a categorias com maior potencial de margem, como skincare e produtos voltados ao envelhecimento da pele.
O primeiro projeto entre as empresas envolve um complexo focado em envelhecimento cutâneo. As marcas que receberão o ingrediente ainda não foram definidas, mas a linha Ekos está entre as possibilidades avaliadas.
Retomada passa por inovação e preço
O desafio da Natura não é apenas lançar um produto novo. A companhia também precisa acertar o posicionamento comercial em uma região onde consumidores têm reduzido gastos e onde a rotina de cuidados com a pele ainda é menos consolidada do que em mercados mais maduros.
Manuel Rios Krauss, diretor executivo de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Natura, disse à Bloomberg Línea que a empresa precisa “desenvolver o mercado”, ao mesmo tempo em que oferece novidades e novos ingredientes aos clientes.
Essa combinação explica a aposta em diferentes faixas de preço. Com a parceria, a Natura pode testar produtos mais sofisticados sem perder de vista a necessidade de atender consumidores com orçamentos distintos na América Latina.
Debut estreia na América Latina com a Natura
A parceria também abre uma nova frente para a Debut. Fundada em 2019, a empresa tem América do Norte, Reino Unido e Europa como principais mercados. A companhia já captou US$ 85 milhões, incluindo uma rodada Série B de US$ 40 milhões liderada pela L’Oréal em 2023.
A entrada na América Latina acontece justamente por meio da Natura, uma empresa com forte associação a biodiversidade, ingredientes vegetais e Amazônia.
Joshua Britton, CEO da Debut, disse que a companhia pretende montar equipes locais no Brasil até o fim de 2027. A aproximação começou há cerca de nove meses, segundo a Bloomberg Línea.
