A brasileira Tieta.ai conquistou reconhecimento internacional ao ser premiada no BRICS Industrial Innovation Contest 2026, realizado na China. A startup desenvolve soluções de inteligência artificial voltadas à educação e busca apoiar países e instituições na avaliação e no aprimoramento de seus sistemas de ensino.
Incubada na Incamp, incubadora de empresas da Universidade Estadual de Campinas, a companhia também participou do Catalisa ICT, programa do Sebrae for Startups voltado à transformação de pesquisas científicas em negócios de base tecnológica.
A premiação coloca a empresa entre iniciativas inovadoras apresentadas por países integrantes do Brics e amplia a projeção internacional do ecossistema de tecnologia formado na região de Campinas.
Para Karla Marinho, CEO da Tieta.ai, o reconhecimento está relacionado ao potencial de aplicação da tecnologia em um desafio compartilhado por diferentes economias emergentes.
“Buscamos resolver um problema comum a diversos países em desenvolvimento: encontrar formas mais eficientes de avaliar e aprimorar seus sistemas educacionais”, afirma.
Inteligência artificial apoia avaliação da educação
A Tieta.ai desenvolve uma tecnologia que usa inteligência artificial para organizar e interpretar informações relacionadas ao desempenho dos sistemas educacionais.
A proposta é transformar grandes volumes de dados em análises capazes de orientar gestores, instituições e responsáveis pela formulação de políticas públicas.
Avaliar a qualidade do ensino envolve variáveis como desempenho dos estudantes, acesso à educação, infraestrutura, formação de professores, desigualdades regionais e eficiência dos investimentos. Quando essas informações permanecem dispersas, torna-se mais difícil identificar problemas e acompanhar os resultados das medidas adotadas.
A startup busca reduzir essa complexidade por meio de modelos tecnológicos que apoiem a leitura dos dados e a identificação de padrões.
A solução também pode ganhar relevância em países que enfrentam limitações de recursos e precisam direcionar investimentos para áreas com maior necessidade.
Prêmio aproxima empresa de mercados internacionais
O BRICS Industrial Innovation Contest reúne projetos de inovação apresentados por empresas e instituições dos países integrantes do bloco.
A participação em uma competição internacional oferece à Tieta.ai visibilidade diante de investidores, parceiros tecnológicos e potenciais clientes de diferentes mercados.
A premiação também funciona como uma validação externa da tecnologia desenvolvida pela startup, embora a expansão comercial dependa da adaptação do produto às regras, bases de dados e necessidades educacionais de cada país.
Sistemas de ensino podem apresentar estruturas muito diferentes. Indicadores, currículos, formas de avaliação e disponibilidade de informações variam conforme o mercado.
Por isso, a entrada internacional exigirá capacidade de configurar a tecnologia para novos contextos sem perder consistência nas análises.
“Temos muito a comemorar e seguimos motivados a ampliar o impacto da nossa tecnologia”, afirma Karla.
Incubação ajudou a transformar pesquisa em empresa
A Tieta.ai é acompanhada pela Incamp desde os primeiros estágios de desenvolvimento.
Ligada à Unicamp, a incubadora atua na fase em que uma pesquisa começa a se transformar em produto, modelo de negócio e empresa. O suporte pode incluir orientação sobre mercado, propriedade intelectual, desenvolvimento comercial, gestão e acesso a parceiros.
Para Vital Yasumaru, gestor da Incamp, o prêmio demonstra que empresas surgidas dentro das universidades brasileiras podem competir com tecnologias desenvolvidas em países que realizam grandes investimentos em ciência e inovação.
“Ver uma empresa incubada na Unicamp ser reconhecida em uma premiação como o BRICS Industrial Innovation Contest confirma que o modelo de apoio oferecido pela Incamp funciona”, afirma.
A estrutura universitária também aproxima as startups de pesquisadores, laboratórios e profissionais especializados, elementos especialmente importantes para uma deeptech.
Empresas dessa categoria costumam desenvolver soluções baseadas em conhecimento científico ou engenharia avançada. Em comparação com aplicativos tradicionais, necessitam de mais tempo para pesquisa, testes e validação antes de alcançar escala comercial.
Sebrae apoiou amadurecimento do negócio
A Tieta.ai também participou do Catalisa ICT, iniciativa do Sebrae for Startups que apoia pesquisadores interessados em transformar conhecimento científico em empreendimentos.
Segundo a CEO, o programa contribuiu para uma etapa importante do desenvolvimento da empresa e facilitou o acesso a mentorias, capacitações e conexões estratégicas.
“O suporte foi decisivo para o amadurecimento da nossa tecnologia e para a construção da nossa visão de negócio”, afirma Karla.
Projetos científicos podem apresentar soluções tecnicamente avançadas, mas ainda precisam encontrar clientes, definir preços, estruturar vendas e demonstrar viabilidade econômica.
Programas de aceleração tentam reduzir essa distância entre laboratório e mercado ao aproximar pesquisadores de profissionais com experiência empresarial.
Além do Sebrae-SP, o projeto recebeu apoio relacionado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq.
Campinas fortalece ecossistema de deeptechs
A conquista também chama atenção para a estrutura de inovação desenvolvida em Campinas e nas cidades próximas.
A região reúne universidades, centros de pesquisa, empresas de tecnologia, incubadoras, aceleradoras e organizações de apoio ao empreendedorismo.
Essa proximidade facilita a circulação de profissionais, conhecimento e oportunidades comerciais. Uma pesquisa desenvolvida dentro de uma universidade pode encontrar apoio para validação, formação da equipe e entrada no mercado sem precisar deixar o ecossistema local.
Para Angélica Alves, gestora de inovação e analista de negócios do Sebrae-SP em Campinas, a premiação mostra o potencial da ligação entre ciência e empreendedorismo.
“A conquista internacional da Tieta.ai reforça o potencial das startups brasileiras de base tecnológica e mostra como a conexão entre ciência, inovação e empreendedorismo pode gerar soluções com impacto global”, afirma.
A atuação do Sebrae-SP na região inclui capacitação, mentorias e aproximação das startups com investidores, empresas e oportunidades de mercado.
Parceria busca reduzir risco das empresas científicas
Startups baseadas em ciência enfrentam desafios diferentes daqueles encontrados por negócios digitais mais simples.
O desenvolvimento pode exigir anos de pesquisa, profissionais altamente especializados e investimentos antes da geração das primeiras receitas. A tecnologia também precisa demonstrar que funciona fora do ambiente acadêmico e consegue resolver um problema real de forma economicamente viável.
Nesse processo, incubadoras e programas de fomento ajudam a reduzir riscos, mas não eliminam a necessidade de construir um produto comercialmente sustentável.
A parceria entre Incamp e Sebrae-SP tenta atender diferentes partes dessa jornada. Enquanto a incubadora contribui para amadurecer a tecnologia e estruturar a empresa, o Sebrae aproxima o negócio de ferramentas de gestão e conexões de mercado.
“A Incamp atua justamente na etapa em que uma pesquisa está se transformando em produto e empresa”, explica Yasumaru.






