Nova onda de demissões da Meta reforça corrida das big techs pela IA

Meta negocia compra de participação de US$ 14,8 bilhões na startup de IA Scale AI

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A dona do Facebook, Instagram e WhatsApp começou a notificar os colaboradores afetados ao redor do mundo logo nas primeiras horas da manhã, utilizando um memorando interno. O processo de reestruturação teve início na Ásia, especificamente na sede de Singapura, e avançou para os escritórios dos Estados Unidos e da Europa. Na Irlanda, por exemplo, a companhia eliminou cerca de 350 postos de trabalho, o que representa aproximadamente um quinto da força de trabalho local, evidenciando o caráter agressivo da medida.

De acordo com informações de bastidores, a nova rodada de demissões está concentrada principalmente nas equipes de engenharia e de produto. Para evitar maiores constrangimentos e otimizar o processo de desligamento, a administração da Meta orientou os funcionários a trabalharem de casa durante o período de notificações. Fontes familiarizadas com os planos da empresa alertam que este pode não ser o fim da reestruturação, indicando que novos cortes de pessoal ainda podem ocorrer ao longo do ano. O movimento reflete uma estratégia drástica de redução de custos operacionais imediatos para abrir espaço no orçamento da holding.

A justificativa interna para as demissões em massa gira em torno da busca por uma estrutura organizacional mais ágil e horizontal. Janelle Gale, chefe de Recursos Humanos da Meta, afirmou em comunicado interno que muitas áreas da empresa já conseguem operar de forma eficiente em equipes menores e autônomas, conhecidas como “pods” ou “coortes”. Segundo a executiva, esse modelo garante maior velocidade de execução e um senso de dono mais aguçado entre os profissionais que permanecem na empresa. Gale defendeu que as mudanças tornarão o ambiente corporativo mais produtivo e o trabalho financeiramente e operacionalmente mais recompensador no longo prazo.

No entanto, a estratégia agressiva de Mark Zuckerberg foca primordialmente na aceleração dos investimentos em inteligência artificial para rivalizar com gigantes como a Alphabet, dona do Google, e a OpenAI. Para equilibrar a balança, além dos cortes, a Meta remanejou cerca de 7.000 funcionários para novos times focados no desenvolvimento de produtos e “agentes” de IA. Zuckerberg tem pressionado os engenheiros da casa a utilizarem ferramentas automatizadas para tarefas complexas de programação e cogita implementar o rastreamento de dispositivos internos para aprimorar o treinamento dessas novas tecnologias corporativas.

Essa guinada tecnológica gerou forte insatisfação e um clima de apreensão entre os colaboradores remanescentes. Mais de mil funcionários assinaram uma petição direcionada à liderança da Meta, protestando contra os planos de monitoramento detalhado de seus computadores de trabalho — que incluiriam o registro de cliques, movimentos do mouse e capturas de tela. Especialistas em economia comportamental, como o professor Jan-Emmanuel De Neve, da Universidade de Oxford, alertam que a automação excessiva pode prejudicar o engajamento interno e o crescimento de longo prazo da companhia ao remover o fator humano da equação corporativa de forma precoce.

Por fim, o mercado financeiro acompanha com desconfiança o tamanho do Capex (investimento em capital) direcionado à tecnologia. A Meta estima gastar entre US$ 100 bilhões e US$ 145 bilhões apenas este ano em infraestrutura de IA, com previsões de centenas de bilhões adicionais até o final da década. Embora analistas da Evercore apontem que o corte de 8.000 funcionários represente uma economia anualizada de cerca de US$ 3 bilhões, a cifra é considerada tímida diante do montante total investido. A disparidade mantém os investidores em alerta, divididos entre o potencial de inovação e o risco de um retorno financeiro demorado.

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