A Organização Internacional do Açúcar (OIA) divulgou nesta segunda-feira (18) sua primeira estimativa para a temporada 2026/27, projetando um déficit global de 0,262 milhão de toneladas métricas de açúcar — o que marcaria uma reversão em relação ao superávit acumulado nos ciclos anteriores. O resultado esperado é impulsionado principalmente por uma queda estimada de 2 milhões de toneladas na produção mundial, com o risco crescente do fenômeno climático El Niño como pano de fundo.
Para a temporada em curso, 2025/26, a OIA revisou para cima sua estimativa de superávit global, que passou de 1,22 milhão de toneladas para 2,244 milhões de toneladas métricas.
O ajuste reflete condições de oferta mais favoráveis do que o inicialmente previsto, especialmente em grandes produtores como Brasil e Índia. O superávit atual, no entanto, é descrito pela organização como modesto, o que limita seu efeito de pressão sobre os preços.
Sobre as perspectivas para os preços nos próximos três meses, a OIA adotou um tom neutro. A entidade destacou que a formação de estoques — impulsionada por preocupações com a redução do uso de fertilizantes e pelo aumento das operações de hedge de preços por parte dos produtores — pode atuar como fator de sustentação das cotações do açúcar no mercado internacional, mesmo diante do superávit moderado da temporada vigente.
No campo do etanol, a OIA projeta crescimento expressivo tanto na produção quanto no consumo em 2026. A produção deve avançar de 123,1 bilhões para 129,4 bilhões de litros, beneficiada pela recuperação da produção brasileira e pela expansão da capacidade na Índia. Já o consumo deve passar de 122,9 bilhões para 126,9 bilhões de litros — ainda ligeiramente abaixo dos níveis de produção, o que aponta para um mercado em equilíbrio com leve tendência de formação de estoques.
O contexto geopolítico tem sido um catalisador relevante para a demanda por biocombustíveis. A alta dos preços do petróleo na esteira do conflito no Golfo Pérsico tornou os biocombustíveis mais competitivos economicamente em relação aos combustíveis fósseis, incentivando governos a ampliar os programas de mistura obrigatória. Brasil, Índia e União Europeia estão examinando ativamente aumentos nas misturas para E32, E25 e E20, respectivamente, o que deve sustentar a demanda por etanol nos próximos anos.
O alerta sobre o El Niño adiciona uma camada de incerteza ao cenário para 2026/27. O fenômeno climático tende a provocar secas em regiões produtoras de cana-de-açúcar, como partes do Brasil e da Ásia, reduzindo os rendimentos agrícolas e pressionando a oferta global. Caso o evento se materialize com intensidade, o déficit projetado pela OIA pode se aprofundar, criando um ambiente mais favorável para os preços do açúcar no mercado internacional ao longo da próxima temporada.









