A Orbia superou R$ 7 bilhões em transações acumuladas em sete anos de operação e prepara uma nova etapa de crescimento. Depois de transformar um programa de fidelidade da Bayer em um ecossistema digital para o agronegócio, a empresa pretende ampliar sua atuação em logística, crédito e atendimento comercial.
A plataforma reúne atualmente cerca de 290 mil produtores cadastrados e estima que sua base represente aproximadamente 75% da área plantada no Brasil. Sete anos atrás, eram cerca de 100 mil usuários, com cobertura equivalente a 35% da área agrícola do país.
O volume de R$ 7 bilhões considera as três principais frentes do negócio: fidelidade, compra de insumos e crédito. Nas operações financiadas, a transação é contabilizada uma única vez, mesmo quando a aquisição do produto está vinculada a uma solução financeira.
Segundo a companhia, cerca de 90% das vendas de insumos realizadas pela plataforma utilizam alguma forma de financiamento.
“Desde o início, tivemos a visão de construir um ecossistema digital dedicado ao agronegócio e expandi-lo a partir das necessidades do cliente”, afirma Ivan Moreno, CEO da Orbia.
Orbia nasceu como programa de fidelidade da Bayer
A origem do negócio remonta a 2012, quando a Bayer criou um programa de relacionamento voltado aos produtores rurais.
O modelo permitia acumular pontos a partir da compra de produtos da companhia e trocá-los por itens ou serviços. A operação começou a ganhar novas funções à medida que a empresa percebeu a possibilidade de reunir outros participantes da cadeia agrícola dentro da mesma estrutura.
Em 2019, foi constituída a companhia responsável pela plataforma, em parceria com a brasileira Bravium. A Bayer permaneceu como acionista majoritária, enquanto novos investidores passaram a integrar o negócio nos anos seguintes.
A Yara Fertilizantes entrou no capital em 2022 e atualmente possui uma participação de 12,21%. O Itaú BBA tornou-se sócio em 2023, com uma fatia de 12,82%.
A Bayer controla 59,98% da empresa, enquanto a Bravium detém 14,99%.
A entrada de empresas ligadas a insumos, fertilizantes, tecnologia e serviços financeiros ajudou a ampliar o escopo da Orbia. O programa de pontos transformou-se em uma plataforma que tenta acompanhar diferentes momentos da jornada do produtor.
Marketplace passou a reunir insumos e serviços
O marketplace de insumos foi lançado em 2020. A partir daí, produtores passaram a encontrar dentro da plataforma ofertas de sementes, defensivos, fertilizantes e outros produtos utilizados no planejamento e na condução da safra.
O portfólio também passou a incluir equipamentos e serviços que não estão diretamente ligados ao plantio. Entre os itens oferecidos aparecem, por exemplo, antenas da Starlink, utilizadas para ampliar a conectividade em propriedades rurais.
A plataforma reúne cerca de 100 vendedores, com ofertas destinadas a culturas como soja, milho, café, cana-de-açúcar e cereais de inverno.
A base de clientes vai de pequenos agricultores a grandes grupos produtores e usinas. Essa diversidade aumenta o alcance do marketplace, mas também exige condições comerciais, volumes e formas de atendimento diferentes.
Grandes produtores costumam comprar diretamente das indústrias ou por meio de distribuidores com operações consolidadas. Já pequenos e médios agricultores podem enfrentar limitações de acesso, volume mínimo e disponibilidade de crédito.
A Orbia pretende utilizar tecnologia, logística e atendimento comercial para atender os diferentes perfis sem depender de um único canal de distribuição.
Crédito cresceu a partir da compra de insumos
O avanço da área financeira ocorreu como consequência da demanda dos próprios produtores.
Ao encontrar um produto na plataforma, o cliente precisava também de uma forma de financiar a compra, especialmente em um setor no qual o pagamento costuma acompanhar o calendário da safra.
A Orbia passou a realizar iniciativas de crédito e, em abril de 2026, estruturou um marketplace dedicado a essa frente.
Atualmente, a empresa trabalha com recursos próprios e com três parceiros: Itaú BBA, Brave e Farmtech. Cada instituição analisa as solicitações individualmente e decide se deseja financiar a operação e sob quais condições.
Não há limites reservados previamente para os produtores dentro da plataforma. A aprovação considera o perfil do cliente, a compra realizada, as garantias disponíveis e a avaliação de risco feita pelo financiador.
Ao fim do ciclo agrícola, Cédulas de Produto Rural e outros títulos relacionados à comercialização podem servir como garantia para uma nova operação.
Esse processo permite renovar o financiamento conforme o produtor vende a safra e inicia o planejamento do ciclo seguinte.
Logística será testada em São Paulo e Mato Grosso
A próxima etapa da expansão será uma operação logística voltada principalmente a indústrias de insumos que possuem produtos competitivos, mas ainda não contam com uma rede de distribuição capaz de atender vendas em menor escala.
O projeto começará em São Paulo e Mato Grosso, dois mercados relevantes para a produção e o consumo de insumos agrícolas.
A operação será realizada em parceria com a transportadora Toniato e poderá utilizar armazéns gerais para guardar mercadorias das indústrias participantes.
Quando uma venda for concluída dentro da plataforma, a Orbia ficará responsável pela compra do produto, pela revenda, pelo faturamento e pela entrega ao agricultor.
A empresa compara o modelo a uma operação de comércio eletrônico completo adaptada ao campo. A proposta é permitir que fabricantes vendam diretamente a produtores de diferentes portes sem precisar construir uma estrutura própria de distribuição em todas as regiões.
Para os fornecedores, o sistema pode abrir um novo canal comercial. Para os agricultores, a expectativa é ampliar o acesso a produtos que nem sempre chegam aos distribuidores locais.








