Durante anos, empresas disputaram espaço no Google com palavras-chave, links e estratégias de SEO. A popularização de ferramentas como ChatGPT e Gemini abriu uma nova frente: aparecer nas respostas geradas por inteligência artificial e, principalmente, ser citado quando o usuário pede uma recomendação.
Foi nesse mercado que os irmãos Andressa e Michel Gildin decidiram investir R$ 20 milhões para criar a Oria, plataforma que monitora como marcas aparecem em diferentes sistemas de IA e indica ações para ampliar essa presença.
Lançada em março de 2026, a startup já reúne 100 clientes. A meta é chegar a 500 até o fim do ano e alcançar R$ 100 milhões em faturamento dentro de cinco anos.
“É uma plataforma global que permite visualizar e analisar como a sua marca está posicionada em diferentes IAs. Não basta saber o ranking: o diferencial está em transformar essa análise em ação efetiva”, afirma Michel.
Do SEO ao GEO
A tese da Oria parte do avanço do chamado GEO, Generative Engine Optimization, conjunto de estratégias voltadas a melhorar a presença de empresas e conteúdos em respostas produzidas por mecanismos de IA generativa.
A lógica difere do SEO tradicional. No Google, empresas trabalham sobre um ambiente de busca mais previsível, com páginas de resultados e posições relativamente fáceis de acompanhar. Modelos generativos podem entregar respostas diferentes para perguntas semelhantes e selecionar fontes distintas conforme o contexto.
Para as marcas, isso cria uma dificuldade adicional: entender por que uma empresa aparece em determinada resposta, por que um concorrente é recomendado e quais fontes sustentam essa escolha.
A plataforma da Oria monitora esse posicionamento e aponta lacunas. A proposta é mostrar como a empresa está sendo interpretada pelos modelos e quais ajustes podem aumentar sua relevância.
Ideia nasceu dentro da comunicação
Michel é formado em Administração e criou, em 2013, uma empresa de assessoria de imprensa. Foi nessa operação que percebeu uma mudança no comportamento dos clientes e no papel das matérias jornalísticas, menções públicas e demais fontes usadas pelos sistemas de IA.
“O posicionamento das marcas nas IAs é fortemente influenciado por matérias e veículos de comunicação. Foi a partir dessa percepção, e de uma demanda crescente dentro da assessoria de imprensa, que surgiu a ideia de criar um novo serviço”, afirma.
Andressa, formada em Arquitetura, seguiu outro caminho profissional. Especializou-se em design e desenvolvimento de plataformas de software como serviço e foi convidada pelo irmão para participar da construção da tecnologia.
A Oria nasceu como empresa independente. Antes do lançamento comercial, os fundadores testaram uma versão beta para observar como diferentes IAs interpretavam, citavam e ranqueavam marcas.
“Esse processo foi essencial para validar a tecnologia, ajustar o produto e evoluir a plataforma com base em dados reais e feedback dos primeiros usuários”, diz Andressa.
Plataforma transforma monitoramento em ações
O sistema analisa como uma empresa aparece nas respostas de diferentes ferramentas e busca transformar os dados em recomendações práticas.
A plataforma observa, por exemplo, quais fontes estão associadas à marca, em quais tipos de perguntas ela é mencionada e onde concorrentes têm maior presença.
O objetivo é identificar oportunidades para melhorar conteúdos e aumentar a chance de uma empresa ser citada de maneira relevante pelos modelos.
Além do software, a Oria mantém equipes para auxiliar clientes na interpretação dos dados e na aplicação das recomendações.
Segundo a companhia, um cliente que inicialmente não aparecia nas respostas das principais IAs passou a ser mencionado após cerca de 45 dias de trabalho. Nesse caso, o ChatGPT se tornou a quarta maior fonte de tráfego do negócio e a geração de leads cresceu 25%.
Grandes empresas estão no foco
A Oria começou a operar em três idiomas e pretende crescer desde o início como plataforma internacional. A estratégia comercial prioriza grandes empresas.
Na leitura de Michel, companhias maiores partem com vantagem porque já concentram mais fontes públicas, menções e sinais de confiança disponíveis para os modelos.
“As enterprises são as que hoje mais avançam nesse mercado, porque tendem a ser também as primeiras a aparecer nas respostas das IAs”, afirma.
Ainda assim, a startup criou um plano inicial voltado a pequenas e médias empresas. A intenção é permitir que negócios menores monitorem como são encontrados e citados.
“O primeiro passo é aparecer nas respostas; depois, garantir que a marca seja mencionada da forma certa”, diz Michel.
Estados Unidos e Europa entram no plano
A expansão internacional terá foco inicial nos Estados Unidos e na Europa. A empresa pretende investir em marketing digital, ações de busca e webinars para explicar o conceito de GEO a potenciais clientes.
O trabalho de educação do mercado é parte relevante da estratégia. Muitas empresas ainda acompanham apenas tráfego de buscadores tradicionais e não medem sua presença em respostas produzidas por IA.
Ao mesmo tempo, consumidores já recorrem a ferramentas generativas para comparar produtos, procurar fornecedores, escolher serviços e descobrir marcas.
“As pessoas já estão tomando decisões com base nas respostas das IAs. A questão não é mais se as marcas devem estar nesses ambientes, mas como elas vão aparecer neles”, afirma Michel.
