Caneta mais barata abre disputa bilionária nas farmácias

A chegada do Ozivy, semaglutida nacional da EMS, deve ampliar a disputa das redes farmacêuticas pelo mercado de medicamentos da classe GLP-1, grupo que inclui produtos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.

Para a Pague Menos, a combinação entre preço menor, maior capilaridade e demanda reprimida pode trazer uma nova camada de consumidores para esse tipo de tratamento, sempre com orientação médica.

A caneta começa a ser vendida na próxima segunda-feira (15), com preço a partir de R$ 452 por unidade. Pacientes cadastrados no programa Vida + Leve poderão pagar R$ 287 por mês nos três primeiros meses. Depois desse período, o valor passa a R$ 498 por caneta.

A primeira leva terá mais de 500 mil unidades distribuídas pelas principais redes farmacêuticas do país.

Preço menor pode destravar novos pacientes

Segundo Jonas Marques, CEO da Pague Menos, o menor custo do Ozivy pode mudar o acesso aos medicamentos GLP-1 no Brasil.

“Quando você fala em um custo de cerca de R$ 10 por dia nos primeiros meses, você traz uma outra camada da população para dentro do tratamento. A classe média brasileira passa a ter uma oportunidade real de conversar com seu médico e avaliar o uso da semaglutida”, afirma.

Dados da NielsenIQ citados pela reportagem indicam que apenas 4,6% dos lares brasileiros usam medicamentos à base de GLP-1 atualmente. Outros 26,1% são considerados potenciais usuários, mas ainda não iniciaram tratamento, principalmente pelo custo.

A avaliação da Pague Menos é que a redução de preço pode aumentar o número de novos consumidores sem depender apenas da troca de marcas já usadas por pacientes atuais.

Redução de preço já dobrou compradores

A rede afirma ter observado movimento semelhante nas últimas semanas, após uma queda de preço promovida por um concorrente.

“Nós analisamos as últimas dez semanas e vimos que, quando houve uma redução de preço de cerca de 50%, o número de pacientes mais do que dobrou”, diz Marques.

Entre os pacientes que entraram na categoria depois da redução, 84% eram novos usuários, segundo o executivo. A canibalização estimada entre consumidores que já usavam semaglutida ficou em até 9%.

Hoje, quase 16% dos potenciais consumidores dizem não usar GLP-1 exclusivamente por causa do custo do tratamento, de acordo com a NielsenIQ.

Norte e Nordeste entram no centro da estratégia

A Pague Menos vê uma vantagem competitiva na própria distribuição geográfica. Cerca de 70% da operação da companhia está concentrada nas regiões Norte e Nordeste, áreas onde a penetração dos medicamentos GLP-1 ainda é menor.

Enquanto a média nacional de uso é de 4,6% dos lares, o índice no Nordeste é de 2,2%, menos da metade do patamar brasileiro.

“Embora sejamos a segunda ou terceira maior rede do país, quando falamos em acesso nós somos a primeira. Estamos no Norte e Nordeste, onde a penetração desses medicamentos é muito menor. Estamos nos preparando para acolher esse novo paciente e esse novo consumidor”, afirma Marques.

A rede tem cerca de 1.700 lojas. Desse total, 1.300 contam com unidades do Clinic Farma, estrutura de serviços de saúde que oferece exames e acompanhamento farmacêutico.

GLP-1 já pesa no faturamento da Pague Menos

Os medicamentos da classe GLP-1 têm ganhado relevância para o resultado das redes farmacêuticas. Na Pague Menos, eles responderam por 9,1% das vendas entre janeiro e março, com crescimento de 167% na comparação anual.

O avanço ocorre em meio ao envelhecimento da população, à maior atenção com doenças crônicas e ao aumento da procura por tratamentos de longo prazo.

Para Marques, a farmácia física terá papel além da venda. A rede quer usar sua estrutura para orientar pacientes, reforçar o uso correto dos medicamentos e apoiar tratamentos acompanhados por profissionais de saúde.

“A obesidade é uma condição complexa. Não basta apenas dispensar o medicamento. É importante garantir que a pessoa receba a orientação correta sobre o uso, reforçando aquilo que foi recomendado pelo médico”, afirma.

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