Papéis da Oracle caem diante de plano de captação de até US$ 50 bilhões para IA

As ações da Oracle registraram uma queda de aproximadamente 4% nas negociações pré-mercado desta segunda-feira (2), reagindo ao anúncio de um robusto plano de captação de recursos. A gigante de software, liderada pelo bilionário Larry Ellison, pretende levantar entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões ainda este ano para expandir sua infraestrutura de nuvem. Embora a estratégia vise atender à crescente demanda de gigantes como Nvidia, OpenAI e Meta, o anúncio acendeu um alerta entre investidores devido ao crescente endividamento da companhia e à incerteza sobre os retornos financeiros de longo prazo em inteligência artificial.

A captação será estruturada de forma equilibrada entre capital próprio e dívida. O plano inclui a emissão de ações ordinárias, títulos conversíveis e um novo programa de venda de ações no mercado de até US$ 20 bilhões, além da emissão de títulos seniores prevista para o início de 2026.

Analistas da Bernstein avaliam que essa composição mista é uma tentativa de preservar a classificação de “grau de investimento” da Oracle, reduzindo as incertezas sobre o custo de financiamentos futuros, embora o mercado permaneça cético quanto à sustentabilidade dessa expansão acelerada.

O aumento nos gastos ocorre em um momento de maior escrutínio sobre a saúde financeira da empresa. No ano passado, os custos dos swaps de crédito (seguros contra inadimplência) da Oracle atingiram o maior patamar em cinco anos, refletindo a apreensão do mercado. Além disso, a companhia enfrenta desafios jurídicos, como a ação movida por detentores de títulos em janeiro deste ano. Segundo Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell, o sucesso da Oracle está agora intrinsecamente ligado ao desempenho da OpenAI, o que gera uma dependência estratégica que preocupa os acionistas.

Apesar do otimismo da empresa com a carteira de clientes, analistas da Jefferies alertam para os impactos imediatos nos balanços. A avaliação é que o plano de financiamento “ganha tempo” para as ambições da Oracle no setor de IA, mas deve sacrificar as margens de lucro no curto prazo.

A expectativa atual é de que o fluxo de caixa livre da companhia só retorne ao campo positivo no ano fiscal de 2029, o que deve manter a pressão sobre as ações nos próximos trimestres.

Sair da versão mobile