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Home Empresas

Pesquisa inédita expõe abismo entre ambição e execução na adoção de agentes de IA por empresas no Brasil

João Pedro Camargo Corenciuc por João Pedro Camargo Corenciuc
23/06/2026
em Empresas, Inteligência Artificial (IA)
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As empresas brasileiras já reconhecem o papel estratégico da inteligência artificial, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar agentes de IA em parte efetiva da operação e estruturar uma nova força de trabalho híbrida, formada por profissionais e sistemas inteligentes. É o que mostra estudo inédito da Skyone, empresa brasileira especializada em nuvem, dados, IA e cibersegurança, em parceria com a MIT Technology Review Brasil.

O levantamento revela uma contradição central na adoção corporativa da tecnologia: 99% dos entrevistados acreditam que agentes de IA terão papel central nos negócios nos próximos três anos, mas 57% afirmam que suas empresas ainda não têm orçamento dedicado à área. A distância entre ambição e execução também aparece em outros indicadores: 74% das organizações estão em estágio inicial ou intermediário de adoção de IA, 59% não se consideram preparadas para operar times híbridos humano-IA nos próximos 12 meses e o mesmo percentual afirma não ter infraestrutura adequada para sustentar iniciativas robustas em escala.

O diagnóstico indica que a adoção de IA deixou de ser apenas uma agenda de tecnologia e passou a exigir uma reorganização mais ampla do trabalho, envolvendo desenho de equipes, liderança, competências, governança e novas formas de medir desempenho.

A pesquisa é base da Special Edition “A Nova Força de Trabalho Híbrida”, publicação da MIT Technology Review Brasil em parceria com a Skyone que discute como o trabalho híbrido está redesenhando a operação das empresas. No estudo, times humano-IA são definidos como equipes em que pessoas atuam em conjunto com assistentes generativos, copilotos, automações inteligentes e agentes autônomos para executar atividades operacionais, analíticas e criativas.

Para Felipe Wasserman, diretor de Marketing e Growth da Skyone, os dados mostram que a discussão sobre IA entrou em uma nova fase. “A discussão deixou de ser apenas tecnológica e passou a ser operacional e humana. O desafio agora é entender como combinar pessoas e agentes inteligentes de forma que cada um potencialize o melhor do outro”, afirma.

A pesquisa identifica que a principal barreira à escala da IA não está apenas no acesso a modelos ou ferramentas, mas na capacidade das organizações de integrar dados, processos, infraestrutura e áreas de negócio. Segundo o estudo, 40% dos respondentes apontam a integração entre áreas como principal entrave, enquanto 46% ainda operam com silos ou sem dinâmica definida entre negócio e TI.

Essa estrutura limita o avanço de agentes inteligentes, que dependem de dados conectados, governança clara e fluxos bem definidos para gerar valor de forma consistente. O padrão se repete na infraestrutura: 59% das empresas afirmam não ter base tecnológica adequada para sustentar iniciativas robustas de IA em escala.

Entre as organizações que ainda operam majoritariamente com infraestrutura local, 47% projetam agentes executando processos inteiros nos próximos três anos, uma ambição que contrasta com a realidade técnica atual.

Embora 53% dos entrevistados apontem a IA como a tecnologia que mais impactou o ambiente de trabalho nos últimos 12 meses, a adoção ainda ocorre, em grande parte, de forma fragmentada. Para a Skyone, esse cenário ajuda a explicar por que muitas companhias avançam em pilotos e experimentações, mas encontram dificuldade para transformar iniciativas isoladas em operação contínua.

A construção dessa nova força de trabalho híbrida ainda é um desafio para a maioria das organizações. Segundo o estudo, 59% não se consideram preparadas para operar equipes compostas por profissionais e sistemas de IA nos próximos 12 meses. O dado mostra que o avanço dos agentes não depende apenas de infraestrutura, mas também da capacidade das empresas de redesenhar papéis, preparar lideranças e desenvolver profissionais aptos a supervisionar, interpretar e orientar o trabalho realizado por sistemas inteligentes.

Parte da explicação está na forma como as empresas estruturam suas estratégias. Enquanto 41% priorizam especialistas técnicos em iniciativas de IA, apenas 24% dão atenção equivalente a perfis voltados à adoção, gestão da mudança e transformação cultural. Para a Skyone, essa diferença mostra que a consolidação de times híbridos depende não apenas de tecnologia, mas também de liderança, governança, novas competências e preparo organizacional.

A pesquisa aponta ainda que 46% das empresas investem em IA com foco em produtividade, e não necessariamente em inovação estrutural. Apenas 14% utilizam retorno sobre investimento como principal métrica para avaliar suas iniciativas, o que sugere que muitas organizações ainda não definiram com clareza quais resultados pretendem alcançar com a tecnologia.

À medida que agentes de IA passam a apoiar análises, decisões e fluxos operacionais, cresce a necessidade de repensar não apenas sistemas, mas também competências, modelos de gestão e formas de medir desempenho. Nesse contexto, o diferencial competitivo das empresas tende a depender cada vez mais da capacidade humana de interpretar contextos, formular boas perguntas, tomar decisões complexas e gerar diferenciação em ambientes cada vez mais automatizados.

“Não basta implementar a tecnologia. É preciso ter estrutura e organização para utilizá-la. Se os dados e as informações que alimentam os sistemas estiverem errados, os resultados também estarão. A maturidade real depende menos do encanto com a ferramenta e mais da qualidade da informação, da integração dos sistemas e da disciplina operacional”, afirma Wasserman.

Apesar do cenário de transição, o estudo também aponta caminhos para o avanço. Os dados indicam que o ganho real aparece quando a IA entra nos processos com profundidade, conectada a dados integrados, regras de negócio, governança e responsabilidades claramente distribuídas entre áreas.

Para a Skyone, empresas que tratam a adoção de IA como uma jornada contínua, e não como um projeto pontual, tendem a construir maturidade de forma mais consistente. Nesse contexto, a consolidação dos times híbridos depende da combinação entre infraestrutura, dados, liderança, cultura e capacidade de transformar agentes inteligentes em parte efetiva da operação.

O estudo da Skyone com a MIT Technology Review Brasil ouviu cerca de 265 líderes e profissionais de empresas de tecnologia, contabilidade, varejo, jurídico, envolvidos em iniciativas de dados, inovação, operações, produtos, negócios e gestão de pessoas. A pesquisa foi conduzida entre os meses de abril e maio de 2026, por meio de questionário estruturado, com participantes de empresas de diferentes portes, desde organizações com até 99 funcionários até companhias com mais de 1.000 colaboradores.

O levantamento investigou como as empresas estão estruturando os chamados times híbridos humano-IA, equipes em que profissionais atuam em conjunto com assistentes generativos, copilotos, automações inteligentes e agentes autônomos para executar atividades operacionais, analíticas e criativas.

Entre os temas analisados estão: estágio de adoção da inteligência artificial, uso de agentes, competências prioritárias, infraestrutura tecnológica, papel da computação em nuvem, integração entre áreas e nível de preparação das organizações para escalar iniciativas baseadas em IA.

Tags: EmpresasInteligência ArtificialMercadoNegócios
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