Petrobras avança na descarbonização ao comercializar combustível sustentável para aviação (SAF)

A Petrobras (PETR4) anunciou formalmente a conclusão da produção e da venda do primeiro lote comercial de Combustível Sustentável de Aviação (SAF, na sigla em inglês) fabricado a partir de óleo de soja certificado. O combustível inovador foi integralmente refinado na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), localizada no Rio de Janeiro, utilizando como insumo óleo de soja originado pela multinacional do agronegócio Bunge. O volume produzido foi comercializado com a distribuidora Vibra Energia (VBBR3) para inserção imediata nos canais de abastecimento do mercado de aviação doméstica.

O lote inaugural soma 3,8 mil metros cúbicos (m³) de combustível e foi gerado por meio da técnica de coprocessamento — processo de engenharia química que permite misturar a matéria-prima de matriz renovável diretamente à carga tradicional de petróleo nas unidades de refino já existentes. O produto final conta com 1% de conteúdo estritamente renovável em sua composição química. De acordo com o corpo técnico da Petrobras, esse percentual está milimetricamente alinhado às metas de descarbonização e obrigações regulatórias desenhadas pela Lei do Combustível do Futuro para os anos iniciais de corte de emissões no setor aéreo brasileiro.

O grande diferencial do projeto está no crivo socioambiental do insumo. Segundo o comunicado da petroleira estatal, este configura-se como o primeiro combustível de aviação derivado de soja no mundo a obter uma certificação internacional de baixo risco de Mudança Indireta do Uso da Terra (ILUC). O selo assegura de forma auditável que a soja utilizada no refino não provém de áreas desmatadas e que sua cadeia de suprimentos não incentiva a abertura de novas fronteiras agrícolas nativas de forma indireta.

A Bunge assumiu a responsabilidade técnica pela originação do grão e pela produção do óleo vegetal em sua planta industrial de esmagamento situada em Rondonópolis (MT). Do outro lado da ponta comercial, a Vibra atuará por meio da marca BR Aviation, aplicando sua capilaridade logística para distribuir o lote às companhias aéreas nos principais aeroportos do país. Estudos conjuntos baseados em análises de ciclo de vida do produto apontam que o novo combustível tem potencial técnico para reduzir em até 70% as emissões de gases de efeito estufa quando comparado ao querosene de aviação fóssil tradicional.

A entrega comercial do lote ocorre de forma voluntária e estratégica, antecipando-se ao início do mandato compulsório de mistura de SAF no país, previsto pela legislação federal para entrar em vigor em 2027. O movimento busca testar a viabilidade dos fluxos logísticos e posicionar a cadeia nacional antes do aperto regulatório.

A diretora de logística, comercialização e mercados da Petrobras, Angélica Laureano, ressaltou que a venda chancela o compromisso da companhia com as metas de transição energética de longo prazo e serve de indutor para que os fornecedores da estatal adotem critérios rígidos e verificáveis de governança socioambiental.

Pelo lado da distribuição, o vice-presidente de Operações da Vibra, Daniel Drumond, sublinhou o papel da empresa na consolidação desse mercado de transição. Atualmente, a Vibra responde pelo abastecimento de seis em cada dez voos comerciais realizados no espaço aéreo brasileiro, o que confere à distribuidora escala crítica para estruturar o ecossistema de SAF no mercado doméstico.

Sair da versão mobile