Pozze mira R$ 100 milhões e prepara entrada no varejo físico

A Pozze, marca de moda fitness criada em Criciúma, projeta alcançar R$ 100 milhões em faturamento em 2026. Caso a meta seja atingida, o resultado representará crescimento de 150% em relação aos R$ 40 milhões registrados no ano passado.

Até recentemente, a operação estava concentrada no comércio eletrônico próprio. Agora, a empresa começou a diversificar os canais de venda com presença no TikTok Shop e no Mercado Livre, além de preparar a abertura de lojas físicas e franquias a partir de 2027.

A companhia processa atualmente entre 15 mil e 20 mil pedidos por mês. Segundo a empresa, 52% das clientes realizam novas compras, índice que sustenta a estratégia de ampliar a frequência de lançamentos e reduzir a dependência da aquisição constante de novos consumidores.

“Estamos em uma rota de pleno crescimento”, afirma Fernando Correa, fundador e CEO da Pozze.

Marca nasceu dentro de uma estamparia

A origem da Pozze está ligada a uma estamparia mantida pela família de Correa em Criciúma. A empresa fornecia insumos e desenvolvia estampas para marcas do setor têxtil, incluindo Hering e Malwee.

Parte dos desenhos criados pela equipe não era utilizada pelos clientes por apresentar uma identidade considerada diferente das coleções tradicionais. Durante a pandemia, os sócios decidiram transformar esse acervo criativo em uma marca própria.

A Pozze começou a operar em 2021 como um segundo negócio dentro da estamparia. Com o avanço das vendas, a produção para terceiros foi gradualmente encerrada, e a estrutura passou a atender exclusivamente à nova marca.

“Queríamos dar vida às estampas que criávamos. A marca nasceu com esse sonho e elas continuam sendo o nosso DNA”, diz Correa.

O portfólio inclui leggings, tops, bermudas, camisetas, regatas, jaquetas e calças. Entre os produtos com maior procura estão os shorts duplos, compostos por uma camada interna e outra externa, além das jaquetas estampadas.

A criação das estampas é realizada internamente por uma equipe de pesquisa e desenvolvimento. A estratégia busca diferenciar a Pozze em um segmento ocupado por grandes marcas esportivas, varejistas de moda e empresas especializadas.

Novas coleções e canais de venda

Uma das principais mudanças implementadas em 2026 foi a redução do intervalo entre os lançamentos.

Até 2025, a empresa apresentava uma nova coleção a cada dois ou três meses. Neste ano, o período foi reduzido para aproximadamente 30 dias. A companhia também pretende lançar coleções-cápsula ao longo do segundo semestre.

A maior frequência busca manter o catálogo renovado e estimular novas compras entre as consumidoras recorrentes.

“Aceleramos o lançamento de coleções e vamos criar cápsulas extras. Também continuaremos investindo nos canais digitais, mas, neste momento, não se trata apenas de aquisição de clientes. Precisamos trabalhar a marca e mostrar por que somos diferentes”, afirma o fundador.

A entrada no TikTok Shop permite explorar vendas associadas a conteúdos publicados na plataforma. Já o Mercado Livre amplia o alcance entre consumidores habituados a comprar em grandes marketplaces.

A empresa não informa quanto esses canais já representam no faturamento total.

Lojas próprias e franquias entram no plano

Depois de construir a operação inteiramente pela internet, a Pozze pretende abrir as primeiras lojas físicas em 2027.

O plano inclui unidades próprias e franquias, modelo que poderá acelerar a presença nacional com participação de capital dos franqueados. São Paulo e Rio de Janeiro estão entre os primeiros mercados considerados pela empresa, seguidos por outras capitais do Sul e do Sudeste.

Em um horizonte de três anos, a companhia pretende ter pelo menos uma loja em cada capital brasileira.

“É algo que o mercado vem pedindo muito. Estamos estruturando o projeto para começar no início do ano que vem”, diz Correa.

A logística também está sendo ampliada para acompanhar o crescimento. A sede de Criciúma reúne fábrica e centro de distribuição próprio, enquanto parte do estoque passou a ser armazenada e despachada pela operadora logística Kubo.

A produção permanece majoritariamente verticalizada. A Pozze fabrica parte dos tecidos, compra outra parcela de fornecedores catarinenses e concentra internamente a maior parte da manufatura. A costura é executada por oficinas terceirizadas.

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