O preço do café deve cair ao longo de 2026. A projeção é do Ministério da Fazenda, divulgada nesta quarta-feira (18). A avaliação considera dois fatores centrais: a safra recorde brasileira e o crescimento da produção em outros grandes países produtores.
De acordo com a SPE (Secretaria de Política Econômica), nações como Vietnã, Indonésia e Colômbia também devem registrar boas colheitas no período. Dessa forma, a oferta mundial tende a crescer. Como resultado, a pressão sobre os preços internacionais deve diminuir ao longo dos próximos meses.
Quando o preço do café deve cair para o consumidor?
O impacto mais visível está previsto para o segundo semestre. Trata-se do período de maior concentração da colheita brasileira. No entanto, a redução dos preços não deve ocorrer de imediato. A transmissão ao consumidor acontece de forma gradual ao longo da cadeia produtiva.
Além disso, a Secretaria não descarta a possibilidade de deflação nos preços do café em 2026. A magnitude desse movimento, contudo, depende da evolução do câmbio e do ritmo das exportações brasileiras.
Em linha com essa perspectiva, a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) avalia que a estabilidade climática e a oferta maior tendem a reduzir as oscilações bruscas registradas nos últimos dois anos. Cabe destacar que, entre novembro e dezembro de 2025, o preço médio por quilo do café Tradicional e Extraforte já recuou R$ 4,58 — movimento atribuído à queda no custo da matéria-prima no período.
Exportações não ameaçam o abastecimento interno
Mesmo diante de preços internacionais ainda elevados, o Ministério da Fazenda descarta risco de desabastecimento no mercado interno. Da mesma forma, a pasta não identifica um novo processo de “dolarização” dos preços domésticos. Segundo a análise técnica, o mercado já incorpora a paridade de exportação como mecanismo regular de formação de preços.
Sendo assim, não há, por ora, indicativo de escassez do produto nas prateleiras brasileiras.
Safra maior impacta o PIB do agronegócio
A produção recorde também deve contribuir para o desempenho do setor agropecuário em 2026. Ainda assim, o crescimento projetado é mais modesto: cerca de 0,5%. Em comparação, o setor deve encerrar 2025 com avanço de 11,3%. Segundo a SPE, o efeito do café sobre o PIB agropecuário será mais concentrado no segundo e no terceiro trimestres.
Custos de produção podem limitar a queda
Apesar do cenário favorável, há fatores de risco monitorados pela secretaria. Os custos com fertilizantes, que vinham recuando no atacado ao longo do segundo semestre de 2025, voltaram a subir no início de 2026. Caso esse movimento se consolide, o ganho de escala da safra pode ser parcialmente compensado por despesas maiores na produção.
Por fim, o Ministério da Fazenda projeta que o IPCA recue de 4,3% em 2025 para 3,6% em 2026. Pressões pontuais nos preços de alimentos, todavia, seguem sendo monitoradas ao longo do período.









