O rombo no FGC caso Master atingiu R$ 51,8 bilhões. O valor foi atualizado nesta quarta-feira (18) após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Pleno. Trata-se da oitava instituição ligada ao caso a entrar nesse regime desde novembro de 2025.
Com isso, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) assume o maior compromisso financeiro de sua história. O fundo funciona como uma espécie de seguro para depósitos e investimentos, cobrindo até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição.
Como o rombo chegou a R$ 52 bilhões?
A sequência de liquidações teve início em 18 de novembro de 2025. Na ocasião, o Banco Central decretou a intervenção no Banco Master e em outras três instituições do mesmo conglomerado. A partir daí, o número de casos cresceu.
Em janeiro de 2026, o BC incluiu a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários — antiga Reag Trust — e o Will Bank no rol de liquidações. Nesse mesmo período, o Banco Master Múltiplo passou a operar sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET). Sendo assim, a instituição continua ativa, porém sob controle de um liquidante indicado pelo regulador.
Por fim, nesta quarta-feira, o Banco Pleno — ex-Banco Voiter — entrou na lista. A instituição não integrava formalmente o grupo Master. No entanto, foi adquirida pelo ex-sócio de Daniel Vorcaro, Augusto Ferreira Lima, em operação aprovada pelo próprio Banco Central em julho de 2025.
Quanto cada banco pesa no rombo do FGC?
O maior impacto vem do Banco Master, responsável por R$ 40,6 bilhões em garantias acionadas. Em seguida, aparece o Will Bank, com R$ 6,3 bilhões. Por último, o Banco Pleno acrescenta R$ 4,9 bilhões ao total. Dessa forma, o somatório alcança R$ 51,8 bilhões — valor que supera qualquer acionamento anterior do fundo.
A título de comparação, o rombo representa 48% do lucro líquido conjunto de Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil em 2025, que somou R$ 107,7 bilhões.
Como o FGC vai recompor o caixa?
Diante da pressão financeira, o conselho do FGC aprovou um plano emergencial em 10 de fevereiro de 2026. O mecanismo prevê a antecipação de contribuições pelos bancos associados. No total, serão adiantados 80 meses de aportes: 60 ainda em 2026, mais 12 em 2027 e outros 12 em 2028. Além disso, será cobrada uma alíquota extraordinária de 50% sobre as contribuições mensais regulares.
Cabe destacar que o FGC informou possuir patrimônio da ordem de R$ 160 bilhões, com liquidez imediata estimada em R$ 125 bilhões.
Como receber a garantia do FGC?
O Banco Pleno possui cerca de 160 mil credores com depósitos elegíveis à cobertura. O pagamento, contudo, não é automático. O credor precisa manifestar interesse por meio dos canais oficiais do FGC.
Pessoas físicas devem utilizar o aplicativo do FGC, disponível na App Store e no Google Play. Pessoas jurídicas realizam o processo pelo site do fundo. Após o cadastro e a assinatura digital do termo de solicitação, o pagamento é efetuado em até 48 horas úteis, diretamente na conta indicada pelo credor.
Valores que excedam o limite de R$ 250 mil, todavia, não têm cobertura garantida. Nesses casos, o credor integra a massa falida da instituição liquidada e pode não receber o montante excedente.
BC promete mudanças nas regras do FGC
Em paralelo ao processo de liquidações, o Banco Central sinalizou revisões no arcabouço regulatório do fundo. O diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan, afirmou que uma agenda de mudanças deve estar organizada até março de 2026. Os detalhes das medidas, porém, ainda não foram divulgados.









