A Copasa apresentou a investidores uma tese de crescimento apoiada em privatização, avanços regulatórios e expansão do saneamento em Minas Gerais. A companhia está em roadshow para uma oferta de ações que pode movimentar até R$ 10 bilhões, em uma das operações mais relevantes do setor no país.
Na apresentação, a empresa indicou que a privatização pode acelerar mudanças de governança, aumentar a disciplina na alocação de capital e abrir espaço para expansão estrutural de margens. O argumento central é que a Copasa já tem alta cobertura de água, mas ainda vê espaço para crescer em esgoto.
Saneamento ainda abre espaço para expansão
A Copasa atende mais de 99% da população com abastecimento de água, mas a cobertura de esgoto está em 80,4%. A meta regulatória é chegar a 90% até 2033.
Essa diferença entre água e esgoto aparece como um dos principais pontos da tese apresentada ao mercado. Para a companhia, a necessidade de universalização deve sustentar novos investimentos e ampliar a base regulatória de ativos nos próximos anos.
O processo de regionalização do saneamento em Minas Gerais também foi apresentado como fator de visibilidade para os fluxos de caixa de longo prazo. Além disso, a renovação da concessão de Belo Horizonte até 2073 ajuda a reforçar a previsibilidade da operação.
Segundo a empresa, outros 21 municípios já firmaram aditivos contratuais.
Revisão tarifária melhora previsibilidade de retorno
Outro ponto defendido no roadshow foi a terceira revisão tarifária. O processo elevou o reajuste para 6,56% e passou a prever mecanismos considerados importantes para a remuneração dos investimentos.
Entre eles estão a incorporação anual dos aportes à base regulatória e o reconhecimento de juros durante a construção de ativos. Na prática, esses mecanismos tendem a dar mais previsibilidade ao retorno dos projetos e a reduzir incertezas para investidores.
Para uma empresa de saneamento, esse ponto pesa bastante. O setor exige investimentos longos, intensivos em capital e dependentes de regras estáveis. Por isso, a Copasa tenta mostrar que a combinação entre regulação, contratos e expansão de cobertura pode sustentar crescimento com menor risco.
Estado venderá ações, mas manterá fatia residual
A modelagem da privatização prevê a venda inicial de 171,1 milhões de ações detidas pelo Estado de Minas Gerais. A operação é estimada em cerca de R$ 9 bilhões, com possibilidade de chegar a aproximadamente R$ 10 bilhões caso haja colocação integral das ações adicionais.
Pela estrutura desenhada, um investidor de referência poderá ficar com até 30% do capital social da Copasa, participação avaliada em cerca de R$ 6 bilhões. Outros 15% serão destinados ao mercado.
Depois da privatização, cerca de 64,6% das ações devem permanecer em circulação. O Estado de Minas Gerais ficaria com uma participação residual de 5%, além de uma golden share, que preserva prerrogativas específicas previstas na legislação e no estatuto da empresa.
Cronograma prevê precificação em junho
Os interessados em atuar como investidor de referência poderão apresentar propostas entre 21 e 25 de maio. O nome do selecionado deve ser divulgado em 27 de maio.
A oferta ao mercado está prevista para começar em 28 de maio. O período de bookbuilding deve seguir até 1º de junho, com precificação marcada para 2 de junho e liquidação financeira em 8 de junho.
O calendário concentra etapas decisivas em poucos dias. Para investidores, o ponto será avaliar se a combinação entre regulação, necessidade de expansão e mudança de controle compensa os riscos típicos de empresas de infraestrutura.








