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Home Meio Ambiente

Programa destaca cinco avanços na conservação da Mata Atlântica e do litoral paranaense

João Pedro Camargo Corenciuc por João Pedro Camargo Corenciuc
14/07/2026
em Meio Ambiente
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Projeto Monitora Serra do Mar
Divulgação

Projeto Monitora Serra do Mar Divulgação

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Idealizado em 2021 para ampliar a proteção da biodiversidade no litoral paranaense, o Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP) acumula resultados que começam a transformar a conservação ambiental em uma das áreas mais preservadas da Mata Atlântica brasileira. Com investimento superior a R$ 110 milhões, que será aplicado até 2031, a iniciativa apoia projetos de fortalecimento de Unidades de Conservação (UCs), proteção, monitoramento ambiental, pesquisa, inovação e desenvolvimento sustentável nos sete municípios do litoral do estado.

Financiado por um Termo de Acordo Judicial (TAJ) firmado com a participação do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público do Paraná (MPPR), o Programa atua em uma região que abriga cerca de 430 mil hectares de ecossistemas costeiros e florestais e concentra o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do Brasil. Em cinco anos, já apoiou cerca de 50 projetos. Para consultar todas as iniciativas apoiadas, clique aqui. 

“O último ano confirma que o BLP amadureceu em sua estratégia de investimentos, estruturando uma política efetiva de conservação no litoral paranaense. Os avanços apresentados aqui não são iniciativas isoladas, eles traduzem, na prática, as diretrizes do PELP e os valores que orientam o Programa desde 2021, unindo conservação, ciência e desenvolvimento sustentável do litoral paranaense e de suas comunidades. Para 2027, o desafio do BLP é dar continuidade a essa evolução. Isso significa manter o investimento em projetos estratégicos e estruturantes para a conservação da biodiversidade, e avançar na consolidação da gestão das UCs e na qualificação do uso público, garantindo que a infraestrutura e os processos construídos nesses cinco anos se tornem parte permanente da proteção do litoral paranaense”, Ariel Scheffer da Silva, presidente do Conselho Consultivo Gestor do BLP. 

Entre resultados alcançados pelo BLP, destacam-se cinco avanços considerados estratégicos para a conservação da biodiversidade. São eles: 

1. Mais conhecimento sobre espécies e ecossistemas

Alguns dos projetos financiados pelo BLP vêm ampliando o conhecimento sobre a fauna e a flora da Mata Atlântica, gerando informações inéditas para pesquisadores e gestores ambientais. Entre os destaques está o registro inédito da orquídea Bulbophyllum campos-portoi, descoberta realizada pelo Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, dentro do Projeto Estudos da Restauração – Pesquisa, Estruturação e Planejamento, durante pesquisas desenvolvidas no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange. Endêmica da Mata Atlântica, a espécie era conhecida apenas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. 

O levantamento integra um conjunto de estudos apoiados pelo BLP que também desenvolve pesquisas sobre frugivoria (estudo de animais que se alimentam de frutos sem danificar a semente), fortalece viveiros florestais e impulsiona programas de restauração por meio da coleta e distribuição de sementes. Além disso, elabora planos de recuperação ambiental e define estratégias de enriquecimento florestal em áreas degradadas.

O Programa também apoia o maior monitoramento de mamíferos silvestres da Serra do Mar paranaense, realizado pelo projeto Monitora Serra do Mar, que integra o Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar. A iniciativa utiliza armadilhas fotográficas distribuídas em mais de 140 pontos da Grande Reserva Mata Atlântica,  que registram grandes mamíferos e aves cinegéticas e/ou ameaçadas de extinção, abrangendo áreas protegidas e propriedades privadas do Paraná e de São Paulo. Os dados coletados subsidiam pesquisas científicas, planejamento territorial, definição de zonas de amortecimento, processos de licenciamento ambiental e estratégias de conservação, além de ampliar o conhecimento sobre a distribuição das espécies e suas interações ecológicas em escala regional.

As pesquisas identificaram relações inéditas entre fauna e flora e ajudam a compreender o papel de espécies como tucanos, macacos-prego, queixadas e diversas aves na dispersão de sementes. Somam-se a essas iniciativas os estudos sobre espécies invasoras, como o peixe-sapo do Golfo, feitos pelo projeto Gestão Participativa do Instituto Meros do Brasil, que produzem informações para orientar a população local e pescadores sobre ações de manejo e decisões voltadas à conservação dos ecossistemas costeiros e florestais do litoral paranaense.

2. Fortalecimento das Unidades de Conservação

A estruturação e consolidação das UCs é a principal frente de atuação do BLP. Desde sua criação, o Programa apoia iniciativas voltadas ao fortalecimento da gestão dessas áreas protegidas, incluindo a elaboração e atualização de planos de manejo, implantação de sinalização, criação e fortalecimento de conselhos gestores, melhoria da infraestrutura, ordenamento da visitação e apoio a ações de fiscalização e monitoramento ambiental.

Entre outras iniciativas estão a reestruturação do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) ICMBio Antonina-Guaraqueçaba e o apoio ao Plano de Uso Público Emergencial (PUPe) do Parque Estadual Pico Paraná, elaborado pelo Instituto Água e Terra (IAT). O documento estabelece diretrizes inéditas para o ordenamento da visitação em uma das áreas naturais mais procuradas do Paraná, incluindo regras para acesso, pernoite, manejo de trilhas, recuperação de áreas degradadas, fiscalização e participação das comunidades do entorno. A iniciativa buscou conciliar a crescente demanda por atividades de turismo e montanhismo com a conservação dos ecossistemas da Serra do Mar.

O Programa também vem promovendo um amplo processo de estruturação do NGI Antonina-Guaraqueçaba, responsável pela gestão de importantes UCs federais do litoral paranaense. Os investimentos abrangem a recuperação de bases operacionais, modernização de equipamentos, fortalecimento das equipes e ampliação da infraestrutura destinada ao uso público e à conservação.

Entre as ações concluídas está a reforma emergencial da base de Guaraqueçaba, finalizada em 2025, com investimento aproximado de R$ 100 mil, garantindo melhores condições de trabalho para os servidores e atendimento aos visitantes. Também está em andamento a restauração do Casarão Histórico de Guaraqueçaba, que será transformado em um centro de recepção de visitantes, com auditório, espaço para atividades culturais, educação ambiental e valorização do patrimônio histórico, com previsão de conclusão em 2027.

O Programa ainda apoia as reformas das bases de Peças e Superagui — esta última com previsão de implantação de centro de visitantes, espaços para reuniões, valorização da cultura caiçara e alojamento para pesquisadores — além da recuperação de uma das igrejas históricas do Parque Nacional do Superagui e da revitalização de pontes e demais estruturas utilizadas pelos visitantes.

O Programa também destinou mais de R$ 1,25 milhão para apoiar a elaboração de planos de manejo, implantação de sinalização e criação e manutenção de conselhos gestores em UCs municipais localizadas em Guaratuba, Paranaguá e Pontal do Paraná. Os recursos contemplam, entre outras ações, a estruturação do Parque Natural Municipal Lagoa do Parado, em Guaratuba (PR), e o fortalecimento da governança de áreas protegidas estaduais e municipais por meio da participação da sociedade civil nos processos de gestão.

Outro avanço é o incentivo à conservação em propriedades privadas. Por meio de um edital de R$ 1,75 milhão, o BLP apoiou a criação e consolidação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) nos sete municípios do litoral paranaense. Os recursos podem ser utilizados para elaboração de planos de manejo, sinalização, ações de proteção e fortalecimento da gestão das reservas, ampliando a conectividade entre áreas protegidas e contribuindo para a conservação.

Além disso, o Programa também tem apoiado a ampliação das oportunidades de uso público sustentável em áreas protegidas, como a implantação da Trilha do Ararapira, no Parque Nacional do Superagui. Com investimento de aproximadamente R$ 2 milhões, a iniciativa viabilizou a construção de sete pontes suspensas, passarela e sinalização em um percurso de 15 quilômetros que conecta comunidades caiçaras e fortalece o turismo de base comunitária em uma das regiões mais preservadas da Mata Atlântica brasileira.

Os investimentos também ampliaram a capacidade operacional das equipes do Instituto Chico Mendes por meio da aquisição de embarcações, veículos 4×4, quadriciclos, motonáutica, drone, computadores, câmeras para monitoramento da fauna e outros equipamentos destinados às atividades de pesquisa, fiscalização e gestão das unidades. O apoio inclui ainda a contratação de consultores especializados e ações de capacitação para fortalecer a atuação técnica das equipes.

Também faz parte desse processo a construção da nova sede administrativa do NGI do ICMBio, em Matinhos, que dará suporte à gestão de importantes áreas protegidas federais, como o Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange e o Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, fortalecendo as ações de conservação, pesquisa, fiscalização e uso público. O investimento foi de, aproximadamente, R$ 3,3 milhões. 

3. Produção de dados para apoiar decisões ambientais

A produção de dados e informações técnicas é uma das frentes BLP para qualificar a gestão ambiental. Por meio do financiamento de pesquisas, monitoramentos de longo prazo e ferramentas tecnológicas, o Programa gera subsídios para ações de conservação, planejamento territorial, licenciamento ambiental e formulação de políticas públicas voltadas à proteção da Mata Atlântica e dos ecossistemas costeiros.

Um dos projetos é o GeoLitoral, que recebeu investimento de R$1,7 milhão do BLP para integrar soluções geoespaciais, mapeamento participativo e capacitação técnica voltados à gestão das UC federais do litoral paranaense. Executada pelo Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais (Lageamb) e pela Funespar, com correalização do ICMBio e da Agência Escola da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a iniciativa prevê a criação de uma Infraestrutura de Dados Espaciais com mais de 2 mil camadas de informações georreferenciadas, reunindo dados ambientais, cartográficos e territoriais em uma plataforma integrada e padronizada.

O projeto também realiza o mapeamento ambiental participativo da Ilha Rasa, em Guaraqueçaba, a partir da escuta de quatro comunidades tradicionais caiçaras, além de promover capacitações para equipes do ICMBio em temas como uso de drones, cartografia aplicada e coleta de dados em campo. 

4.Fomento às soluções baseadas na natureza

O fomento a soluções baseadas na natureza é uma das formas de aproximar conservação ambiental e desenvolvimento sustentável. No litoral paranaense, o BLP apoia iniciativas que usam a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos como base para gerar conhecimento, renda, inovação e novas oportunidades econômicas associadas ao uso responsável dos recursos naturais. 

Entre as iniciativas que ganham evidência está o projeto Olhar Empreendedor, executado pela Universidade Estadual do Paraná (Unespar), que recebeu aproximadamente R$ 850 mil para capacitar moradores do litoral na criação e no fortalecimento de negócios alinhados aos princípios da sustentabilidade. A iniciativa estruturou um hub de inovação na Casa Dacheux, em Paranaguá (PR), criando um ambiente voltado à formação, incubação e desenvolvimento de empreendimentos com potencial de impacto socioambiental positivo.

Entre outras oportunidades impulsionadas pelo fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis está o aproveitamento do fruto da palmeira juçara (Euterpe edulis), conhecido como açaí-juçara. O projeto Paisagens Multifuncionais da Grande Reserva Mata Atlântica: Fortalecimento da Produção Agroflorestal e Agroecológica na APA de Guaraqueçaba, realizado pela SPVS – Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental e financiado pelo BLP, promove o uso sustentável da juçara no território da Grande Reserva Mata Atlântica. Entre os avanços está a implantação de uma cozinha-laboratório, financiada pelo BLP, destinada à realização de estudos e treinamentos sobre frutas nativas. A estrutura amplia as oportunidades para agricultores familiares de Antonina e municípios da região.

5. Ampliação da estrutura de proteção ambiental

O fortalecimento das instituições responsáveis pela proteção da biodiversidade também está entre os principais resultados do BLP. Nos últimos anos, o Programa destinou mais de R$ 6 milhões para ampliar a capacidade operacional de instituições responsáveis pela fiscalização e proteção ambiental no litoral paranaense. Os investimentos contemplam aquisição de embarcações, veículos, equipamentos, uniformes e melhorias em infraestrutura, fortalecendo a atuação integrada de órgãos como Ibama, Polícia Federal, Polícia Militar Ambiental e Guarda Civil Ambiental de Paranaguá.

Um dos principais investimentos foi na 1ª Companhia do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), sediada em Paranaguá. Foi destinado R$ 1 milhão para aquisição de equipamentos como embarcações, drones, aparelhos de georreferenciamento, materiais de proteção individual e melhorias estruturais nas bases operacionais. Os novos recursos ampliam a capacidade de atuação das equipes em uma região marcada pela presença de extensas áreas protegidas, manguezais, estuários e remanescentes de Mata Atlântica. Para 2026, está prevista uma nova etapa de investimentos, também no valor de R$ 1,4 milhão.

O Ibama recebeu investimento de R$ 1,7 milhão para aquisição de embarcação e equipamentos destinados às ações de fiscalização e monitoramento ambiental. Além disso, foi aprovada a destinação de R$ 2,6 milhões para a reforma de um prédio da instituição em Paranaguá, ampliando sua capacidade de atuação na região.

A Polícia Federal também conta com apoio do Programa, que destinou R$ 1,9 milhão para aquisição de equipamentos voltados ao combate aos crimes ambientais. Outra iniciativa  aprovada prevê investimento de aproximadamente R$ 100 mil para reforma do Serviço Técnico-Científico da Superintendência Regional da Polícia Federal no Paraná (SETEC), unidade responsável por perícias em diversas áreas, com destaque para as ambientais, que representam uma das maiores demandas atendidas pelo setor. A melhoria proporcionará condições mais adequadas para o trabalho das equipes técnicas e para a realização das análises periciais.

Tags: ESGInvestimentosMata AtlânticaMeio AmbienteSustentabilidade
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