Por Bruno Gurgel
A influência das redes sociais vai muito além da estética. Em plataformas que priorizam exposição, curtidas e comentários, a autoimagem passa a depender de métricas virtuais, fragilizando a autoestima e podendo desencadear sentimentos de ansiedade ou isolamento.
O que antes era apenas uma vitrine de momentos pessoais transformou-se em um palco de comparação permanente, onde cada interação — ou a ausência dela — pode ser interpretada como um sinal de aceitação ou rejeição.
Esse ciclo de comparação impõe um desafio significativo à saúde mental. O que antes servia como referência, hoje se converteu em padrão, e quem não se encaixa nele frequentemente se sente excluído do jogo social.
Compreender que as redes sociais exibem recortes idealizados, e não a vida real, torna-se essencial para preservar o equilíbrio emocional. Eis a essência de um problema coletivo: a dificuldade de distinguir entre a realidade e a narrativa cuidadosamente editada que circula nas telas.
Movimentos por mais diversidade
Apesar dos riscos, novas iniciativas têm buscado abrir espaço para o bem-estar digital. Influenciadores e campanhas engajadas promovem representações mais realistas, diversas e inclusivas, incentivando a aceitação da própria identidade e combatendo padrões únicos de beleza.
Essa mudança de perspectiva torna as redes sociais um ambiente potencialmente mais acolhedor e menos nocivo para quem deseja se reconhecer e se expressar a partir de diferentes corpos, estilos e experiências de vida.
A pluralidade, quando ganha espaço, desafia filtros e algoritmos que insistem em reforçar modelos homogêneos de aparência e comportamento.
Não se trata de ser contrário à tecnologia ou à sua aplicação em nossas vidas. Pelo contrário, ela já se consolidou como uma grande facilitadora das atividades diárias e concentra um volume de informação e conhecimento que enriquece a todos nós.
O que se torna urgente, porém, é pensar em soluções que devolvam tempo de qualidade às pessoas por meio de um uso mais consciente. O desafio está em evitar que os usuários fiquem aprisionados em ciclos intermináveis de rolagem e comparação, e em desenhar plataformas capazes de estimular pausas, promover interações significativas e favorecer experiências que ampliem o bem-estar.
As tecnologias, quando usadas com propósito, podem liberar espaço para que cada indivíduo viva plenamente fora das telas, equilibrando presença digital e vida real, de modo que a experiência online não substitui, mas complementa, a riqueza da vida cotidiana.
O caminho para uma relação saudável com as redes sociais passa pela consciência crítica. É preciso compreender que a construção da imagem pessoal não pode se limitar às métricas digitais e que a autenticidade deve prevalecer sobre a busca incessante por validação.
Mais do que filtros, algoritmos e curtidas, as redes sociais podem se transformar em ferramentas de autoconhecimento e expressão, desde que sejam usadas com equilíbrio e respeito às individualidades.
O desafio está em aprender a navegar nesse universo sem perder de vista que a vida real é feita de imperfeições — e é justamente nelas que reside a beleza da experiência humana.
**Bruno Gurgel é CEO da EquilibriOn. Formado em Administração de Redes e Sistemas pelo Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada (IBTA), possui pós-graduações em Administração pela FGV e em Psicologia Positiva pela PUC-RS. Também completou o Programa de Liderança em Tecnologia do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos, e atualmente cursa Neurociência para aprofundar seus conhecimentos sobre os impactos do vício em telas e contribuir para que pessoas e organizações integrem a tecnologia de forma saudável.
