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Home Agronegócio

Safrinha 2026 entra em fase crítica com custos elevados e maior risco climático

João Pedro Camargo Corenciuc por João Pedro Camargo Corenciuc
05/05/2026
em Agronegócio
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A safra de milho safrinha 2026 entra nas próximas semanas com grande parte das lavouras entrando em pendoamento sob um padrão de chuvas já em redução , em um cenário que combina custos elevados, janela de plantio mais apertada e início de restrição climática. “A safrinha 2026 começa pressionada antes mesmo de qualquer problema em campo. O aumento dos custos mudou o ponto de equilíbrio da cultura”, afirma Yedda Monteiro, analista da Biond Agro.

No Mato Grosso, o gasto com insumos saltou de pouco mais de 58 para entre 76 e mais de 90 sacas por hectare. A alta é puxada principalmente pelos fertilizantes, especialmente nitrogenados, que encareceram de forma consistente e elevaram o custo por hectare em ritmo superior ao preço do milho.

O movimento não inviabiliza a cultura, mas reduz a margem de segurança do produtor e aumenta a dependência das decisões para o próximo ciclo e para quem ainda não garantiu toda sua necessidade atual.O plantio foi concluído próximo da média, mas com distribuição irregular dentro da janela ideal. Parte relevante da área foi semeada fora do período recomendado, o que amplia a exposição ao risco climático, especialmente em regiões como Goiás, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Com grande parte das lavouras ainda em fase vegetativa ou início do desenvolvimento reprodutivo, o ponto mais crítico está nas próximas semanas, quando o milho entra em pendoamento. “A perda da produtividade não é automática, mas aumenta a dependência de chuvas pontuais e bem distribuídas. Quanto maior a área fora da janela ideal, maior esse risco”, destaca Yedda.

O que chama atenção neste ciclo é o desalinhamento entre a demanda da lavoura e o padrão climático. Enquanto a cultura passa a exigir mais água, o regime de chuvas entra em redução típica do período. Regiões importantes do Centro-Oeste e interior do país registram volumes de chuva abaixo da média, muitas vezes inferiores a 50% do normal, enquanto as temperaturas seguem elevadas, o que acelera a perda de umidade do solo. 

As projeções indicam manutenção desse padrão nas próximas semanas. “As chuvas seguem irregulares, com volumes pontuais e baixa capacidade de recomposição do perfil de umidade no solo, especialmente no Centro-Oeste”, afirma Yedda. Esse cenário ainda não define quebras generalizadas, mas aumenta a diferença de resultados dentro da própria safra.

No cenário global, a transição de La Niña para um período neutro, com maior chance de El Niño ao longo do ano, torna o clima mais instável e irregular. Para o Brasil, isso pode se traduzir em ondas de calor e chuvas mal distribuídas no Centro-Sul. Apesar disso, a base produtiva se mantém relevante. O Mato Grosso segue com boa condição de lavoura e continua como principal suporte da produção nacional, o que reduz o risco de uma quebra mais acentuada no total.

O balanço de oferta ainda não começa ajustado, o que permite absorver perdas moderadas sem reação imediata de preço. Para movimentos mais consistentes, o mercado depende de confirmação de redução relevante na produção total.

No mercado, o movimento ainda depende de confirmação no campo. Enquanto os contratos futuros incorporam parte do risco climático, o mercado físico segue mais cauteloso, com indústria abastecida no curto prazo e negociações mais lentas.

“O cenário, que combina custo elevado, janela mais apertada e início de restrição climática, coloca em xeque o potencial da safra”, conclui Yedda.

Tags: AgronegócioNegóciosRisco ClimáticoSafrinha
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