O Santander anunciou nesta quarta-feira um ambicioso plano estratégico para o triênio 2026-2028, projetando um salto de mais de 40% em seu lucro líquido, que deve ultrapassar a marca de 20 bilhões de euros.
Após registrar o resultado recorde de 14,1 bilhões de euros em 2025, o maior banco da zona do euro em valor de mercado agora foca sua expansão nos Estados Unidos e no Reino Unido, buscando reduzir a dependência histórica de mercados emergentes, como o Brasil.
A nova diretriz, apresentada pela presidente executiva Ana Botín, fundamenta-se na integração das recentes aquisições dos bancos Webster (EUA) e TSB (Reino Unido). Com essas operações, os mercados desenvolvidos devem passar a responder por quase dois terços do lucro operacional bruto do grupo.
Além da expansão geográfica, a instituição aposta em uma transformação digital profunda: o Santander prevê que o uso de inteligência artificial e a unificação de sua plataforma global de TI gerem economias e receitas superiores a 1 bilhão de euros até 2028, melhorando o índice de eficiência de 41,2% para cerca de 36%.
O mercado reagiu com entusiasmo aos anúncios, com as ações subindo 3% na bolsa de Madri. Analistas do Barclays destacaram que as metas de rentabilidade — com o Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROTE) previsto acima de 20% — superaram as expectativas do setor.
O plano também contempla um crescimento na base de clientes, que deve saltar de 180 milhões para 210 milhões de usuários nas Américas e na Europa nos próximos três anos.
Para os acionistas, o banco manteve uma política de distribuição de resultados de 50%, mas anunciou um ajuste gradual na composição dos proventos. A partir de 2027, a parcela paga em dinheiro (dividendos) deve subir para 35%, em detrimento das recompras de ações, à medida que o banco calibra seu índice de capital principal.
Segundo Botín, o modelo operacional unificado será o motor para entregar um crescimento de dois dígitos no lucro por ação, consolidando o Santander em um novo patamar de rentabilidade estrutural.








