Fundo chinês da Nova Rota da Seda compra fatia em gigante brasileira de energia

O Silk Road Fund, fundo soberano criado pela China para financiar projetos ligados à Nova Rota da Seda, comprou uma participação minoritária na Aliança Geração de Energia, empresa brasileira de energia renovável que tem Vale e BlackRock entre seus principais nomes ligados ao capital.

O valor da transação não foi divulgado. A compra será feita por meio da Cang Yuan Investment, holding internacional usada pelo Silk Road Fund em aquisições fora da China.

A Aliança opera sete hidrelétricas em Minas Gerais e no Espírito Santo, três complexos eólicos no Ceará e no Rio Grande do Norte, além da usina solar Sol do Cerrado, em Minas Gerais. A capacidade instalada total chega a 2,2 gigawatts.

Aliança Energia reúne hidrelétricas, eólicas e solar

A operação coloca o capital chinês dentro de uma plataforma brasileira já diversificada em energia renovável. A Aliança foi ligada à Vale por anos e hoje tem controle da Global Infrastructure Management, antigo Global Infrastructure Partners, gestora comprada pela BlackRock em 2024.

Em setembro de 2025, a GIP pagou cerca de US$ 1 bilhão à Vale para entrar na geradora. Na época, a mineradora manteve 30% do capital da empresa.

No novo movimento, a Cang Yuan comprará uma fatia do GIP Horizon Co-Invest, veículo de coinvestimento administrado pela Global Infrastructure Management. Na prática, o fundo chinês entra como cotista em uma estrutura que participa da Aliança.

Compra amplia apetite chinês por infraestrutura no Brasil

A aquisição é a segunda aposta do Silk Road Fund em infraestrutura brasileira em menos de um mês. No início de maio, o Cade aprovou a entrada da Cang Yuan na Eixo SP, maior concessionária de rodovias do país, controlada pelo Patria Infraestrutura IV.

As duas operações seguem lógica parecida. O capital chinês entra como investidor minoritário, sem assumir o controle direto do ativo. A gestão continua com operadores e gestores já posicionados no Brasil.

Esse formato permite exposição a setores estratégicos, como energia e rodovias, sem criar uma mudança brusca de comando nas empresas investidas.

Fundo foi criado para financiar a Nova Rota da Seda

O Silk Road Fund foi criado em 2014, com capital de US$ 40 bilhões e controle do governo chinês. Seu mandato é financiar projetos ligados à Iniciativa do Cinturão e Rota, política externa de Pequim voltada a infraestrutura, energia, logística e recursos naturais.

A América Latina aparece entre as regiões de interesse da estratégia. No Brasil, o avanço em energia renovável e concessões de transporte mostra uma preferência por ativos de longo prazo, com fluxo previsível e importância estratégica.

Em agosto de 2024, o Silk Road Fund e o Patria assinaram um acordo para explorar oportunidades em infraestrutura, agricultura e alimentos na América Latina. As operações recentes indicam que esse plano começa a sair do papel.

Sair da versão mobile