SpaceX dispara mais de 8% após estreia recorde em Wall Street

As ações da SpaceX (SPCX) continuam a operar em forte rali em seu segundo dia de negociação na Nasdaq, estendendo os ganhos de sua estreia histórica na última sexta-feira. Na máxima do pregão, os papéis da companhia aeroespacial e de inteligência artificial saltaram mais de 8%, negociados a US$ 173,99. O movimento consolida o valor de mercado da empresa acima do patamar de US$ 2 trilhões, posicionando-a firmemente no escalão das seis companhias mais valiosas de Wall Street.

O novo impulso veio após declarações contundentes de Elon Musk no domingo. Respondendo a analistas de mercado, o CEO projetou que a SpaceX — impulsionada pelas divisões de lançamentos, pela rede de satélites Starlink e pelo recém-incorporado braço de infraestrutura de IA e data centers Colossus — poderá gerar US$ 1 trilhão em receita anual até 2030. Para fins de comparação, a companhia fechou o balanço do ano fiscal de 2025 com um faturamento de US$ 18,67 bilhões, o que exigirá uma curva de crescimento exponencial sem precedentes na história corporativa mundial.

A estreia na sexta-feira (12) já havia entrado para a história dos mercados de capitais como o maior IPO do mundo em arrecadação bruta, levantando US$ 75 bilhões ao preço de oferta de US$ 135 por ação, superando o recorde histórico que pertencia à estatal Saudi Aramco desde 2019.

A atração dos investidores individuais foi um dos grandes combustíveis do primeiro dia de negociações:

Apesar da euforia, analistas de risco e gestores de portfólio recomendam cautela com a volatilidade dos papéis nos próximos meses. Os balanços da S-1 revelaram que, embora a receita tenha crescido 33% em 2025, a empresa registrou um prejuízo líquido de US$ 4,94 bilhões devido aos pesados investimentos em infraestrutura de IA e queima de caixa. Além disso, Musk retém mais de 82% dos direitos de voto por meio de ações superpreferenciais (Classe B), mantendo controle quase absoluto sobre as decisões estratégicas.

A sustentação da alta das ações no curto prazo encontra respaldo em uma pressão de compra técnica e contratada por grandes alocadores institucionais. Devido ao seu tamanho colossal, a SpaceX passará por um processo de inclusão acelerada (fast-track) nos principais índices globais de ações, forçando fundos mútuos e ETFs passivos a montarem posições bilionárias no papel para evitar erros de replicação (tracking error).

Estimativas preliminares do JPMorgan indicam que, para abrir espaço para o peso proporcional da SpaceX nos fundos de índice do ecossistema Nasdaq, gestores passivos terão que desalocar e vender aproximadamente US$ 95 bilhões em ações de outras gigantes de tecnologia, como Apple, Nvidia e Microsoft.

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