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SpaceX planeja precificar IPO em US$ 135 por ação

João Pedro Camargo Corenciuc por João Pedro Camargo Corenciuc
03/06/2026
em Mercado
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Em uma jogada surpreendente que subverte as práticas tradicionais de Wall Street, a SpaceX planeja fixar o preço de sua oferta pública inicial (IPO) em US$ 135 por ação. O objetivo da companhia aeroespacial liderada por Elon Musk é arrecadar um valor recorde de US$ 75 bilhões antes mesmo do início formal de sua apresentação para investidores (roadshow), agendada para começar nesta quinta-feira.

Fontes familiarizadas com o assunto afirmam que a empresa pretende colocar no mercado 555,6 milhões de ações, mirando uma avaliação de mercado consolidada de US$ 1,75 trilhão. O movimento posiciona a SpaceX na vanguarda de uma onda histórica de aberturas de capital de gigantes de tecnologia, que inclui os pedidos subsequentes das líderes em inteligência artificial OpenAI e Anthropic, prometendo injetar cerca de US$ 4 trilhões em capitalização nos mercados públicos.

A definição de um preço fixo antes do processo de formação de livro de ordens (bookbuilding) é uma estratégia altamente não convencional no mercado de capitais. Geralmente, as empresas estabelecem uma faixa indicativa de preço para testar a demanda e ajustar o valor final. Ao adotar uma postura rígida do tipo “pegar ou largar”, Musk apoia-se em seu forte séquito de seguidores e na ausência de concorrentes diretos no setor privado.

O plano prevê alocar até 30% da oferta global diretamente para investidores de varejo (individuais), uma fatia excepcionalmente grande para capturar o apoio de pessoas físicas fãs do empresário.

Além disso, a estrutura corporativa desenhada no prospecto inclui uma política de ações de dupla classe, que concentrará o poder de voto nas mãos de Elon Musk e de um círculo restrito de aliados. A SpaceX também pretende pressionar por uma inclusão antecipada nos principais índices acionários globais, mantendo o controle operacional centralizado na figura de seus fundadores.

A precificação da SpaceX ganhou novos componentes após a fusão realizada no início deste ano com a startup de inteligência artificial xAI. O negócio avaliou a divisão de foguetes e satélites em US$ 1 trilhão e a desenvolvedora do chatbot Grok em US$ 250 bilhões. A união justifica a nova tese de investimentos da holding, que atrela seu crescimento futuro ao desenvolvimento de infraestrutura tecnológica de ponta, como data centers movidos a energia solar no espaço — um mercado potencial estimado em US$ 28,5 trilhões.

A ausência de concorrentes diretos faz com que o valor de mercado seja objeto de visões divergentes. Em relatório de pesquisa divulgado em 1º de junho, a agência de análise Morningstar atribuiu à SpaceX um valor justo de US$ 780 bilhões — montante 48% abaixo do patamar pretendido no IPO —, apontando que o atual motor financeiro real e lucrativo do grupo reside quase inteiramente na constelação de conectividade via satélite Starlink.

O balanço financeiro da SpaceX reflete os custos intensivos de capital de suas operações espaciais, impossibilitando uma avaliação tradicional baseada no índice preço/lucro (P/L). No primeiro trimestre, a receita da companhia avançou para US$ 4,69 bilhões, contra US$ 4,07 bilhões no mesmo período do ano anterior. No entanto, o prejuízo líquido por ação subiu de US$ 0,18 para US$ 1,27. No consolidado do ano passado, a empresa registrou um prejuízo líquido de US$ 4,94 bilhões, revertendo o lucro de US$ 791 milhões apurado anteriormente.

Duas das três divisões operacionais da SpaceX continuam operando com queima de caixa (cash burn), sendo financiadas pelo fluxo positivo da Starlink. Apesar disso, o consórcio de bancos globais coordenadores — composto por Goldman Sachs, Morgan Stanley, BofA Securities, Citigroup e JPMorgan — trabalha com um cronograma acelerado. A estreia oficial das ações na Nasdaq, sob o código SPCX, está prevista para o dia 12 de junho.

*Com informações da Reuters

Tags: EmpresasIPOMercadoNegóciosSpaceX
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