A SambaNova Systems, startup norte-americana especializada no desenvolvimento de semicondutores voltados para Inteligência Artificial, anunciou nesta quarta-feira (8) a conclusão do primeiro fechamento de sua rodada de financiamento Série F, captando o montante de US$ 1 bilhão. O aporte financeiro foi liderado pela gestora global de Growth Equity General Atlantic e contou com aportes expressivos de grandes fundos institucionais, incluindo Seligman Ventures, T. Rowe Price Associates e Capital Group. Com a nova injeção de capital, a companhia sediada na Califórnia alcançou uma avaliação de mercado pós-investimento de US$ 11 bilhões.
A operação marca uma aceleração veloz e agressiva no cronograma de captações da companhia, ocorrendo apenas cinco meses após a startup ter estruturado uma rodada Série E de US$ 350 milhões. A lista de investidores novos e recorrentes que acompanharam o fechamento atual engloba nomes de peso de Wall Street e do cenário global, como as firmas A&E Investment, Assam Ventures, fundos geridos pela BlackRock, além da Intel Capital e do fundo soberano da Autoridade de Investimentos do Qatar. O comando da SambaNova confirmou que os recursos serão integralmente direcionados para expandir sua capacidade fabril e de fornecimento, ampliar as implantações de infraestrutura em nível global e financiar a próxima geração de seus chips personalizados, sistemas de hardware integrados e plataformas de software.
O diferencial competitivo da SambaNova no aquecido mercado de hardware para IA reside no foco estratégico na etapa de inferência — o processo computacional pelo qual os modelos matemáticos já treinados processam dados para responder às consultas em tempo real feitas pelos usuários finais.
Reforçando sua validação comercial no mercado corporativo, a empresa anunciou simultaneamente que o banco JPMorgan Chase a selecionou como sua parceira estratégica de infraestrutura privada. A maior instituição financeira dos Estados Unidos implementará os sistemas SN40 e os novos chips SN50 da startup para rodar cargas de trabalho complexas e confidenciais de IA diretamente em seus servidores internos corporativos (on-premises).
A consolidação operacional ocorre após um período de arranjos societários e regulatórios complexos com a Intel. Em fevereiro, em paralelo ao lançamento comercial da arquitetura do chip SN50 com foco em eficiência de tokens, a SambaNova fechou uma aliança com a gigante dos chips para o codesenvolvimento de soluções de nuvem híbrida de baixo custo. O movimento envolveu um aporte inicial de US$ 35 milhões por parte da Intel Capital, que recebeu o aval antitruste definitivo das autoridades dos Estados Unidos em maio após a interrupção de conversas preliminares sobre uma aquisição integral da startup. Auditorias corporativas subsequentes revelaram planos da Intel de aportar mais US$ 15 milhões na SambaNova, pavimentando o caminho para expandir sua participação acionária total para o patamar de 9%.
A ascensão da empresa sinaliza uma mudança profunda na percepção de valor por parte do capital de risco global desde o seu último grande ciclo de financiamento privado. Em abril de 2021, em meio ao início da corrida pelo desenvolvimento de grandes modelos de linguagem, a SambaNova havia captado US$ 676 milhões em uma rodada capitaneada pelo SoftBank Group, ocasião em que o fundo Vision Fund 2 avaliou o negócio na casa dos US$ 5 bilhões. Três anos depois, a transição do mercado corporativo do estágio de treinamento puro para a fase de produção e implementação em massa de aplicações inteligentes recoloca a startup na vanguarda do setor de infraestrutura de TI e abre espaço para futuras discussões de abertura de capital no mercado secundário.
