A fintech Jota lançou uma nova forma de cobrar clientes: basta falar. A startup criada pelo empreendedor cearense Davi Holanda, ex-executivo do PagBank e da Bankly, apresentou o Fala Tap, solução que combina a tecnologia de pagamento por aproximação com inteligência artificial conversacional. Na prática, o lojista diz em voz alta o valor e a forma de pagamento e o sistema monta a transação automaticamente, sem cliques ou menus.
A empresa afirma que o Fala Tap é a primeira solução do tipo com comando de voz disponível no celular no Brasil.
Como o produto funciona
O Fala Tap transforma o smartphone em maquininha por aproximação, conhecida como tap to phone, com uma camada de IA por cima. Assim, em vez de abrir o aplicativo, localizar a função e preencher os dados manualmente, o vendedor apenas fala o comando. O sistema interpreta e executa a cobrança.
Além do pagamento por voz, o aplicativo próprio da Jota traz um recurso chamado Meu Time, que permite ao lojista cadastrar vendedores, deixar que cada um cobre diretamente pelo próprio celular e acompanhar tudo em uma conta central. A referência declarada da empresa é a experiência de varejo da Apple, em que o vendedor já carrega consigo a etapa final da compra.
WhatsApp como ponto de partida
Antes do app próprio, a Jota já atuava dentro do WhatsApp. A lógica é simples: o brasileiro já usa o mensageiro para vender, atender, negociar e se comunicar. Por isso, a startup decidiu transformá-lo em uma superfície financeira completa.
O cliente pode mandar áudio, texto, foto de boleto, planilha ou nota fiscal e pedir que o sistema execute tarefas. Entre os recursos disponíveis estão pagar contas, consolidar saldo bancário, gerar cobranças, calcular preço de venda com base em nota fiscal e gerar extratos inteligentes, como identificar quanto foi gasto com um fornecedor específico em determinado período.
Um cliente, segundo a empresa, enviou mais de 3 mil áudios em menos de um ano para resolver pendências enquanto dirigia. Outro, do setor de descartáveis no Rio de Janeiro, recuperou cerca de uma hora por dia ao automatizar o fechamento financeiro. Um terceiro, ao descobrir qual fornecedor concentrava o maior gasto do negócio, renegociou preços e cortou 10% das despesas, o equivalente a R$ 4.500 por mês.
A Jota encerrou o primeiro ano com 150 mil clientes e um run rate de R$ 2,2 bilhões em volume total processado. Para 2026, a meta é chegar a R$ 10 bilhões em TPV e alcançar 1 milhão de clientes.
Para isso, a empresa aposta em distribuição digital e em uma produção intensa de conteúdo, com vídeos curtos, casos de uso, depoimentos e um podcast voltado a empreendedores.
A tese por trás da Jota
Holanda enxerga a inteligência artificial como uma virada de era no relacionamento entre tecnologia e usuário. Até hoje, segundo ele, o ônus operacional era do cliente: abrir o aplicativo, procurar o botão, digitar o valor, conferir os dados. Com a IA, esse trabalho passa a ser da empresa.
A lógica, afirma o fundador, se inspira no modelo asiático. Durante sua passagem pelo PagSeguro, ele observou de perto como WeChat e Alipay fundiram comunicação, consumo e pagamento em uma só experiência na China. Por fim, com a chegada da IA generativa, ele acredita que esse modelo se torna viável também no Brasil, especialmente para os milhões de pequenos negócios que ainda operam sem estrutura administrativa e onde o próprio dono concentra todas as decisões financeiras.