Nos três primeiros meses de 2026, o agronegócio paulista apresentou desempenho expressivo no comércio exterior, registrando superávit de US$ 4,49 bilhões. Esse resultado foi impulsionado por exportações que somaram US$ 6,03 bilhões, frente a importações de US$ 1,54 bilhão. No período, o setor respondeu por 38,5% do total das exportações do estado, enquanto as importações do agronegócio representaram 7,4% do total estadual.
O complexo sucroalcooleiro foi responsável por 25,6% do total exportado, somando US$ 1,5 bilhão, com o açúcar consolidando-se como o principal produto dessa pauta ao representar 95,3% do faturamento do grupo. Logo em seguida, o setor de carnes garantiu a segunda posição, com 16,1% das vendas externas (US$ 972 milhões), onde a carne bovina teve participação majoritária de 81,7% nos embarques realizados.
Os produtos florestais e o setor de sucos também figuraram com destaque nas exportações paulistas, ocupando a terceira e quarta posições, respectivamente. O segmento florestal gerou US$ 837 milhões, focado em celulose e papel, enquanto os sucos somaram US$ 534 milhões, quase integralmente derivados da laranja. O complexo soja completou o grupo dos cinco principais produtos, com US$ 504 milhões. Juntos, esses cinco grupos foram responsáveis por 72,9% de toda a receita gerada pelo agronegócio estadual, evidenciando a concentração da pauta exportadora.
Em termos de destinos, a China manteve sua posição como a principal parceira comercial de São Paulo, absorvendo 23,6% das exportações, seguida pela União Europeia (15,8%) e pelos Estados Unidos (9,4%). No entanto, especialistas da APTA destacam uma mudança drástica no mercado de açúcar: a China, que liderava as compras no ano anterior, perdeu espaço para a Índia. Atualmente, os indianos assumiram a liderança como principais importadores do açúcar paulista, um movimento que sinaliza novas dinâmicas competitivas e geopolíticas no mercado global de commodities.
Apesar dos números robustos, o balanço revelou oscilações significativas em comparação ao ano anterior, com crescimento nas receitas de produtos florestais e carnes, mas quedas acentuadas nos grupos de sucos e café. No cenário do Oriente Médio, as exportações paulistas sofreram retrações influenciadas pelas tensões geopolíticas regionais, como o conflito entre Israel e Hamas, que impactou os fluxos logísticos e comerciais para o Irã. Contudo, esses recuos foram considerados pontuais e não comprometeram o desempenho geral da balança comercial do estado no período.
Com esses resultados, São Paulo consolida-se como o segundo maior exportador do agronegócio nacional, detendo 15,8% de participação no ranking brasileiro, atrás apenas de Mato Grosso. A análise, conduzida por pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), reforça a importância da diversificação produtiva e da vigilância sobre os mercados externos. O acompanhamento contínuo realizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento permite ao estado ajustar suas estratégias diante de variações de preços e volumes no competitivo cenário internacional.
