As ações da Tesla registraram uma recuperação surpreendente nesta terça-feira, revertendo uma queda inicial de 6,4% para fechar em alta de 2%. O movimento ocorreu em meio a especulações de que o CEO Elon Musk estaria planejando reduzir seu envolvimento político no governo Trump.
Segundo o Politico, Musk deve diminuir seu papel como “parceiro de governança, líder de torcida onipresente e executor em Washington”. A possibilidade de um afastamento de questões políticas parece ter sido bem recebida pelos investidores, que veem a mudança como um sinal de que Musk pode voltar a focar mais em seus negócios.
Os rumores surgem logo após a derrota de um juiz conservador apoiado por Musk na disputa por uma vaga na Suprema Corte de Wisconsin, o que destacou seu controverso engajamento político. Caso Musk realmente reduza sua atuação nos bastidores do governo, o impacto sobre a Tesla e outras empresas sob seu comando poderá se tornar um tema central para o mercado nos próximos meses.
Há um ano, a Tesla havia entregue 386.810 unidades e desta vez a expectativa era de 372.410 veículos, segundo estimativa média de 15 analistas da Visible Alpha. As vendas da montadora na Europa e na China caíram, mesmo com mais pessoas comprando veículos elétricos, enquanto carros e concessionárias da Tesla em todo o mundo se tornaram alvos de vandalismo.
No ano passado, Elon Musk projetou um crescimento de 20% a 30% nas vendas da Tesla para 2025, impulsionado pelo lançamento de um veículo acessível no primeiro semestre do ano. No entanto, seu envolvimento político como consultor do presidente dos EUA, Donald Trump, tem gerado polêmica, especialmente devido ao seu papel na demissão de milhares de funcionários federais e na redução da ajuda humanitária.
Esse engajamento tem causado descontentamento entre alguns clientes da Tesla, levantando preocupações sobre possíveis impactos na imagem da empresa e na demanda por seus veículos. A recente recuperação das ações da montadora sugere que os investidores podem estar reagindo positivamente às especulações de que Musk reduzirá sua participação nas decisões políticas em Washington, voltando a focar em seus negócios.
A BYD deve desbancar a Tesla como a maior vendedora global de veículos elétricos pela primeira vez neste ano, com uma participação de mercado de 15,7%, à frente dos 15,3% da Tesla, de acordo com a Counterpoint Research.
As vendas da Tesla nos principais mercados europeus caíram novamente em março, com as vendas na França e na Suécia recuando pelo terceiro mês consecutivo. Embora a Tesla possa sofrer menos com as novas tarifas de 25% sobre veículos importados devido à sua fabricação baseada nos EUA, Musk disse que as implicações de custo são “significativas”.