TIM mira IA e dados no agro após conectar 27,3 milhões de hectares com 4G

A TIM Brasil (TIMS3) quer ampliar sua atuação no agronegócio depois de avançar na conectividade rural. A operadora já conectou 27,3 milhões de hectares com rede 4G no campo e mais de 54 milhões de hectares com NB-IoT, tecnologia voltada a aplicações de internet das coisas.

Com essa base instalada, a companhia avalia que a próxima fase de crescimento no agro passa menos pela expansão de sinal e mais pelo uso dos dados gerados nas propriedades. A estratégia inclui inteligência artificial, computação em nuvem, automação, análise de imagens, monitoramento remoto e gestão integrada de operações agrícolas.

Segundo a empresa, a infraestrutura rural já atende 348 mil propriedades e conecta cerca de 2,8 milhões de pessoas em áreas agrícolas.

Agro virou vertical estratégica para a TIM

A entrada mais estruturada da TIM no agronegócio começou em 2018, quando a operadora passou a tratar o setor como uma frente prioritária dentro da estratégia de internet das coisas.

O diagnóstico da companhia era que o campo brasileiro já usava máquinas, sensores e tecnologias agrícolas avançadas, mas ainda enfrentava uma limitação básica: a falta de conectividade em grandes áreas produtivas.

Para avançar nesse mercado, a TIM apostou na rede 4G em frequência de 700 MHz, faixa que permite cobrir grandes extensões com menor necessidade de infraestrutura. Entre os clientes atendidos estão BP Bioenergy, SLC Agrícola, Jalles, Citrosuco, Amaggi, Adecoagro, Grupo Pedra Agroindustrial, Usina Santa Terezinha e Usina Cerradão.

A lógica da operadora é que projetos instalados para grandes grupos também beneficiam áreas vizinhas, ampliando o alcance da conectividade no entorno das propriedades atendidas.

De antenas para dados agrícolas

Depois de levar conectividade a fazendas, usinas e áreas produtivas, a TIM quer ocupar uma camada mais próxima da operação do produtor. A ideia é transformar informações geradas por máquinas, sensores e sistemas agrícolas em serviços de maior valor agregado.

Entre as aplicações que a empresa pretende expandir estão manutenção preditiva de máquinas, monitoramento remoto, análise da saúde das lavouras por imagens, plataformas de gestão e Centros de Operação Agrícola, conhecidos como COAs.

Esses centros funcionam como ambientes digitais de acompanhamento das propriedades. Eles permitem monitorar atividades, consolidar dados e apoiar decisões operacionais em tempo real.

A aquisição da V8.Tech, concluída em 2026, reforçou essa estratégia. A empresa comprada pela TIM é especializada em nuvem, dados e desenvolvimento de aplicações corporativas, o que amplia a capacidade da operadora de entregar soluções além da conexão.

Fazenda Conectada indica ganho de produtividade

A TIM usa os resultados do projeto Fazenda Conectada, em Água Boa, no Mato Grosso, como exemplo do potencial da digitalização no campo.

Segundo dados citados pela companhia, a área monitorada registrou produtividade 27% acima da média nacional na safra 2024/25. Na safra 2022/23, a diferença havia sido de 13,4%.

Para a operadora, esse tipo de resultado ajuda a sustentar a demanda por conectividade rural, principalmente quando o produtor consegue associar tecnologia a ganhos operacionais.

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